sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

TIGRE VS HOMEM

Talvez o certo fosse perguntar: ainda existe espaço suficiente para homem e animais viverem juntos e de forma harmoniosa?

A resposta para esta questão não é tão incerta assim. A verdade é que não há mais espaço para homem e animal coexistirem. Claro que, para animais da Amazônia, que só habitam ali, ou seja, são endêmicos, é muito provável que ainda há muito lugar para eles. Porém, para o papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea), já não é mais possível, pois o homem já devastou uma boa parte da mata-atlântica que é o habitat ideal para estas aves.
MAS O QUE FAZER ENTÃO?

Para esta pergunta pertinente é importante saber que o homem está crescendo muito em número. É triste falar desse jeito, mas as pessoas não morrem mais! Repare que a expectativa de vida do ser humano aumentou nos últimos anos, e com ela o consumismo que caminha paralelamente, de forma impulsiva e marcante.

Um panda-gigante (Ailuropoda melanoleuca) só vive em dois lugares atualmente: nas florestas/reservas de bambu da China; ou nos zoológicos que gastam milhões a cada ano para manter um cativo.
E por que isto está acontecendo? Por causa do alto índice de natalidade e consumismo.

Nada contra nossos irmãos de olhos puxados, mas estou começando a achar que existem mais chineses do que animais naquela região.
A China é um ótimo exemplo, mas ela não é a única culpada. Todos somos!

TIGRE

O tigre é o maior dos felinos. Mesmo velho, fraco ou ferido, pode atacar o homem. Para tentar evitar isso, os povos asiáticos, procuram usar uma máscara na nuca, pois desta forma, quando um tigre ver o homem, pensará várias vezes antes de atacar. O tigre fica estrategicamente escondido por entre a mata e é quase impossível vê-lo. Quando ele vê que “alguém” o está encarando, no caso da máscara, ele acaba recuando e procurando outra presa, mesmo se tratando de uma presa potencialmente fraca, como o homem.
Leva uma vida solitária, exceto na época reprodutiva quando macho e fêmea se juntam temporariamente e compartilham o mesmo território. Após a cópula, a fêmea se torna agressiva com o macho e o expulsa de seu território, pois se ele estiver ali quando os filhotes nascerem é possível que ele mate seus próprios filhos (ao contrário do que já ouvi o Gugu dizer em seu programa), afinal, se tornarão competidores futuramente.

O território do macho engloba o de duas ou três fêmeas, que é demarcado constantemente com urina, fezes e arranhões nas árvores, ambos os sexos.
Quando se depara com um rival, a princípio, existe uma troca de informações, como por exemplo, orelhas se mexendo, rugidos, patadas ao ar, os dentes são postos a mostra e somente se nada disso funcionar é que saem para a briga.

É um animal extremamente forte e paciente: chega a ficar horas aguardando uma oportunidade ideal para atacar sua presa. Pode carregar seu alimento por mais de 400 metros. Em média, come cerca de 5 a 7 kg de carne por dia, mas pode comer até mais de 30 kg em casos especiais.


Este felino é considerado o maior dos carnívoros (alguns classificam o urso-polar como sendo o maior, mas ele não é totalmente carnívoro e, sim, onívoro, com prevalência carnívora).


Recentemente, em 2004, pesquisadores descobriram que alguns indivíduos classificados como tigre-da-indochina (Panthera tigris corbetti) eram, na verdade, uma nova espécie, o tigre-malaio (Panthera tigris jacksoni).

Puxa, que bacana heim! Agora temos nove subespécies diferentes. Que nada!! Temos apenas seis, pois destas, três só existem na história ou em fotografias antigas.

O tigre-de-bali (Panthera tigris balica) viveu na ilha de Bali, Indonésia, até provavelmente 1945. Ele foi caçado até a extinção da espécie. Era a menor espécie de tigre no menor espaço habitável, uma minúscula ilha. Depois que o homem pisou ali, tudo se transformou, para a pior.


Pouca sorte também teve o tigre-de-java (Panthera tigris sondaica). Extinto em 1980, esta espécie teve o mesmo tratamento que a espécie anterior: perseguição e destruição de habitat. O último animal em vida selvagem foi avistado em 1976.


Aparentemente é difícil diferenciar as subespécies de tigres, mas provavelmente o tigre-do-cáspio (Panthera tigris virgata) fosse o mai bonito. Possuía uma longa pelagem que cobria seu corpo. Era a espécie mais utilizada no coliseu de Roma. Tornou-se extinto em 1970, muito provavelmente em algum zoológico. O governo da Rússia acreditava que homem e tigre não poderiam viver na mesma região, por isso foi caçado incessantemente até sua extinção deixando o caminho livre para a colonização do homem.


Estas três espécies foram extintas por ação direta do homem, ou seja, caça (extração da pele para a confecção de casacos) e destruição de habitat. Mas hoje, além dos itens citados, estão sendo mortos por crenças populares. Os tigres vêm sendo caçados ilegalmente para a extração de partes de seus corpos, e a Ásia está ao centro de um comércio ilegal de animais selvagens que movimenta mais de US$ 20 bilhões de dólares por ano. Orientais ainda acreditam que partes de tigres são remédios milagrosos. Há aqueles que acham que a AIDS pode ser curada com este tipo de tratamento. “Impotência é curada tomando chá de testículos de tigre”. Que absurdo!


Todos já estão cansados de saber, e a ciência já provou muitas vezes, que isto não existe. Não há nenhuma parte de um tigre que possa ser a cura para certas doenças. Isto vale também para outros animais como rinocerontes, macacos, serpentes, aranhas... Ihhhh, a lista é grande.

Se não bastasse esta matança, os tigres estão desaparecendo por falta de variabilidade genética, em outras palavras, eles estão cruzando entre si: com irmãos, primos, mães, pais e isso acentua o alto índice de consangüinidade. O Gene do animal se torna fraco e sua expectativa de vida pode diminuir bastante.

Estima-se que hoje existe algo em torno de 3.500 tigres vivendo livres contra cerca de 100 mil há um século.

“Deus criou o gato para que o homem tivesse o prazer de acariciar um tigre”. Mas infelizmente o homem se esqueceu disso e foi tentar domesticar esse grande felino. Pessoas de poder aquisitivo considerável passaram a ter tigres no lugar de cachorros e, se já não bastasse, circos passaram a ter estes animais também.

Hoje em dia, zoológicos do mundo inteiro se unem para manter a salvo estas espécies. Porém, não são todos os animais que aceitam bem o cativeiro!

A VERDADE

Qual o músculo mais rápido do corpo humano?

Certo! O conjunto de músculos que compõe as pálpebras. Muito bom!

Agora, imagine que, a cada piscar de olhos, um campo de futebol (profissional, por favor) some do mapa.

Imaginou?

Você deve ter pensado “Pô, Dani, assim não teremos mais verde na Terra e, conseqüentemente, os animais que ali habitavam!”.

Isso mesmo! É isto que está acontecendo com os vegetais e animais atualmente em nosso planeta. A cada piscar um tigre some das poucas áreas que ainda restam no continente asiático, seja por destruição de habitats, perseguição ou crenças populares.

O FUTURO DOS TIGRES

Ainda é possível salvar os tigres. Além de leis contra caça predatória é preciso criar mais reservas e parques naturais onde eles possam viver e caçar. O governo dos países deve administrar a terra de maneira a favorecer o equilíbrio ecológico e proibir o uso comercial e indiscriminado dos recursos naturais.


CURIOSIDADES

O menor foi o tigre-de-bali (Panthera tigris balica) e o maior é o tigre-da-sibéria (Panthera tigris altaica).

O tigre-de-bengala não é velho e nem vive tanto assim. A média de vida de um tigre é de vinte a vinte e cinco anos, em zoológicos. O termo “bengala” é originário de uma região onde hoje é conhecida como Bangladesh.

Assim como a sua digital não existem dois tigres com as mesmas listras.

Personagem de lenda na Ásia, o tigre-branco, foi considerado por muito tempo como um “tigre-fantasma”.


ESPÉCIES ATUAIS E FANTASMAS

Abaixo as espécies que ainda restam e sua situação atual, além das três espécies que já não existem mais (fantasmas).

Tigre-da-Indochina (Panthera tigris corbetti) Em perigo
Tigre-malaio (Panthera tigris jacksoni) Em perigo
Tigre-de-Bengala (Panthera tigris tigris) Em perigo
Tigre-de-Sumatra (Panthera tigris sumatrae) Em perigo crítico
Tigre-da-Sibéria (Panthera tigris altaica) Em perigo crítico
Tigre-da-China (Panthera tigris amoyensis) Em perigo crítico
Tigre-de-Java (Panthera tigris sondaica) Extinto
Tigre-de-Bali (Panthera tigris balica) Extinto
Tigre-do-Cáspio (Panthera tigris virgata) Extinto
Fonte: www.iucnredlist.org

Desperte sua curiosidade e pesquise mais sobre esses magníficos animais!
Abraços!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

ESPÉCIES INVASORAS

Para entendermos melhor a matéria de hoje é preciso saber um pouquinho sobre a biologia dos ambientes.

Um ecossistema é o conjunto formado por todas as comunidades que vivem e interagem dentro de uma determinada região mais os fatores abióticos que atuam sobre estas comunidades. Um fator abiótico consiste de tudo aquilo que não tem vida, ou seja, a água, o sol, solo, gelo, vento. O fator biótico é constituído por animais, plantas e bactérias, ou seja, aqueles que têm vida. Um ecossistema pode ser terrestre ou aquático.

Como funciona?

Os produtores são os organismos capazes de fazer fotossíntese e/ou quimiossíntese. Dentro de um ecossistema existem vários tipos de consumidores, que juntos formam uma cadeia alimentar.

Consumidores primários são os animais que se alimentam dos produtores, ou seja, as espécies herbívoras e não vegetarianas (essa terminologia é usada para os onívoros que preferem se alimentar somente de vegetais, como é o caso do ser humano). Estes animais podem ser desde microscópicas larvas planctônicas (no mar) até grandes mamíferos terrestres como o elefante.

Consumidores secundários são animais que se alimentam dos herbívoros, denominados carnívoros.

Consumidores terciários são os grandes predadores como os tubarões, orcas, leões, etc, os quais capturam grandes presas, sendo considerados os predadores de topo de cadeia. Tem como característica, normalmente, o grande tamanho e menores densidades populacionais. Obs: podem se tornar secundários dependendo da situação, como no exemplo abaixo.

Cadeia formada por: produtor, consumidor primário e consumidor secundário.


Decompositores ou biorredutores são os organismos responsáveis pela decomposição da matéria orgânica, transformando-a em nutrientes minerais que se tornam novamente disponíveis no ambiente. Os decompositores, representados pelas bactérias e fungos, são o último elo da cadeia trófica, fechando o ciclo.

Em outras palavras, para o bom funcionamento de um ecossistema, é necessário que tudo esteja controlado sem a ação de outros organismos agindo contra. É aqui onde entram as espécies invasoras.

Quem são estas espécies?

São aquelas introduzidas, de alguma forma, consciente ou inconscientemente em um habitat que não é de origem daquela espécie. Consciente porque o homem é mestre em querer adquirir espécies como animais de estimação e, quando o bicho cresce, simplesmente descartam jogando na natureza e ainda por cima, acham que estão fazendo um bem para a natureza – o que não é verdade!
Também há casos de introdução controlada para combater certas pragas. Neste caso é introduzido um predador para que se alimente da praga em questão e, posteriormente, este predador (teoricamente) morre e fica tudo bem. Mas não é o que acontece sempre. Para ser uma ação eficaz é necessário uma série de estudos para ver se realmente dará certo. O predador pode não morrer e começar a se alimentar das espécies que não eram pragas. E aí, o que vai acontecer?

Um caso muito comum no mundo todo é a Austrália. Para conter o grande crescimento de insetos, foi introduzido o sapo-cururu (Rhinella marina). Ele não só deu conta do recado como se reproduziu muito bem e começou a competir com as espécies de anuros daquele continente. As rãs, pererecas e até outros sapos de pequeno porte estão correndo um risco muito grande, pois o sapo-cururu é imenso e voraz em sua alimentação. Por sua vez, outros animais que se alimentam de anuros, começaram a morrer porque o veneno que esta espécie produz é muito maior do que seus organismos podem assimilar. Há casos de serpentes, mamíferos e até aves que estão ameaçadas por se alimentarem deste sapo.

Sapo-cururu (Rhinella marina)

Ainda na Austrália, foi introduzido coelhos para se alimentarem de uma erva daninha que estava tomando conta de alguns habitats. Os coelhos se reproduziram muito bem e em grandes números e, posteriormente, acabaram se tornando as próprias pragas, pois estes, se alimentavam também da lavoura do homem. O que aconteceu?

Os ratos são um dos mamíferos mais prolíferos do mundo. Excetuando os pólos, pois são estremamente frios para seu organismo, eles se adaptam em todos os tipos de ambientes, isto se deve também ao fato de comerem qualquer coisa que encontrarem. Cada fêmea pode gerar mais de 12 filhotes a cada 22 dias, e em um ano, ela gera uns 192 filhotes. Multiplicando esse valor somente por 100 ratas vamos obter 19.200 ratinhos novos para comprometer a Austrália. E agora?

Uma fêmea minha gerou 13 neonatos.

A “solução” encontrada foi a introdução de aves de rapina, gatos, como predadores. E aí continua o ciclo.

Bem, isso foi o caso consciente. Existem os casos de introdução de espécies onde o homem não percebe que introduziu ou faz de conta que não percebe, é o caso da água de lastro.

A água de lastro, utilizada em navios de carga como contrapeso para que as embarcações mantenham a estabilidade e a integridade estrutural, é transportada de um país ao outro, e pode disseminar espécies "alienígenas" (que não é dali; é outro nome para invasoras e introduzidas) potencialmente perigosas e daninhas.

Navio eliminando água trazida de outro lugar.

As espécies não aparecem ou invadem um lugar do nada. Geralmente isto ocorre, pois houve intervenção humana no habitat original delas.

Existem animais que migram para outros ambientes, mas isto faz parte da biologia deles, como é o caso de gnus, borboleta-monarca, cegonhas, águias, flamingos, gansos e muito outros.

Brasil

Ninguém sabe, mas nosso país não está livre das espécies invasoras. Os europeus trouxeram muitas espécies como o pardal, a pomba-doméstica, enfim, dentre outros. Também, muitas lojas de animais, vendem aquelas tartaruguinhas de aquário (norte-americana) com a promessa que não crescem, aí o povão compra e depois quer soltar em qualquer lugar, porque o bicho cresceu demais e não tem mais onde deixar. Isto acontece com répteis, aves, mamíferos, peixes, anfíbios, insetos dentre tantas outras.

Pardal (Passer domesticus)

Pomba-doméstica (Columba livia)

Tartaruga-de-orelha-vermelha (Trachemys scripta elegans)
Em Fernando de Noronha, ilha bonita, cheia de vida e riquezas naturais também foi vítima da introdução de espécies. A ilha possui grande quantidade de ratos (inicialmente levados pelas embarcações) e estes predam os animais locais. Para conter o avanço acelerado deles uma pessoa achou que, levando os lagartos-teiú para lá iriam acabar com os ratos, já que no continente estes lagartos comiam ratos e outros animais e vegetais.

Teiú (Tupinambis merianae)

A idéia foi interessante, mas esta pessoa “inteligente” esqueceu de um pequeno detalhe: os ratos são noturnos e os teiús, diurnos. Em palavras simples, os ratos continuam crescendo e as gaivotas, atobás, andorinhas-do-mar e outras aves estão servindo de alimento para os lagartos. Talvez, a grande dica aí, fosse levar répteis do mesmo sexo, mas isso não tiraria o problema dos ratos, pois eles saem de noite, enquanto os lagartos estariam dormindo.


Exótico e nativo

Outro dia, enquanto segurava um papagaio-de-peito-roxo no zôo onde trabalhava, um casal se aproximou e disse: “Nossa, que ave exótica bonita!”. Eu sorri e falei um pouco sobre a biologia do bicho.

A palavra “exótico” é usada para aqueles que não fazem parte do ambiente em que estão. Um rinoceronte, no Brasil, é exótico. Na África, ele se torna “nativo”, isso porque ele é originário de lá. A onça-pintada é nativa do Brasil, porém, é exótica na França.
Mas, o que acontece se eu levar um animal que só existe no nordeste brasileiro para o sul do país? Pois bem, este animal é nativo do Brasil, mas é exótico no sul do Brasil.

Alguns invasores

Mexilhão Dourado (Limnoperna fortunei)
Origem: China e Sudeste da Ásia

Rã-touro (Lithobates catesbeianus)
Origem: América do Norte


Tilápia-do-Nilo (Oreochromis niloticus)
Origem: África e Oriente Médio

Bico-de-lacre (Estrida astrild)
Origem: África


Caramujo-africano (Achatina fulica)
Origem: Leste da África

Desperte sua curiosidade e pesquise mais sobre esses magníficos animais!

Agradecimentos:

Bióloga Raquel Fiuza: parte da matéria

Bióloga Glaucilene Ferreira Catroli: correção de nome científico

Próxima matéria: TIGRE VS HOMEM

Abraços!

domingo, 11 de outubro de 2009

VESPA PARASITÓIDE


Semanas atrás dei uma entrevista para um grupo de futuros jornalistas que estavam fazendo uma matéria para o TCC. Após várias perguntas e respostas também gravaram alguns bichos e perderam o medo de outros tocando em uma serpente.

Enquanto estávamos gravando no quintal de minha casa, uma das jornalistas apontou para o telhado e disse: “Olha, você cria abelhas também!?”. “Na realidade não se trata de abelhas”, respondi. “São vespas!”, concluindo. As jornalistas se entreolharam e acho que pensaram: “E não é a mesma coisa?”

Sempre encontramos esses erros, mas ninguém é obrigado a saber essas diferenças. Vamos ver melhor isto...


Abelha


Denominação comum aos diversos insetos da ordem Hymenoptera, onde também estão presentes as vespas e formigas. O representante mais conhecido é a Apis mellifera, originária do Velho Mundo*, que é criada amplamente para a produção de mel.

Apis mellifera


Abelhas do Novo Mundo** não possuem ferrão. A maioria destas pertence ao grupo das Meliponini. Apesar de não estarem classificados como Novo Mundo, também há algumas espécies na África e Austrália (Novíssimo Mundo***).

Jataí (Tetragonisca angustula)


* Velho Mundo compreende os continentes já conhecidos pelos europeus, como a Europa, Ásia e África;

** Novo Mundo é um dos nomes dados à América pelos europeus na época de sua descoberta. O continente era novo para os europeus;

*** Novíssimo Mundo é indicada para a Oceania por se tratar da última grande região do planeta a ser “descoberta”.



Vespa

Da mesma ordem das abelhas, Hymenoptera, são divididas em duas subordens Apocrita e Symphyta. As larvas Apocrita são carnívoras ou parasitóides, enquanto as Symphyta são herbívoras. No Brasil são conhecidas como “marimbondos” as vespas da família Vespidae, Pompilidae e Sphecidae. Em algumas regiões também são chamadas por zangões. As vespas são extremamente importantes no controle biológico uma vez que quase todos os insetos considerados como praga têm uma vespa como predador natural.

Vespa parasitóide

Antes de tudo, parasitas são animais que buscam garantir, através de um ser de outra espécie, algum benefício que não são capazes de conseguir sozinhos. As vespas parasitóides, parasitas, ou ainda vespa tarântula, são aquelas carnívoras que se alimentam justamente desse hospedeiro.

Elas costumam procurar por uma lagarta, aranha ou até mesmo outro animal ao qual será seu “voluntário” para sua investida. Ao achar a vítima, com diversos rasantes e várias tentativas, pois nem sempre é tão fácil assim, a vespa dá uma ferroada no futuro hospedeiro. Seu veneno paralisa temporariamente o animal enquanto ela introduz um ou mais ovos no mesmo. Há casos que o hospedeiro continua levando sua vida normalmente e outros que são mantidos frescos, dentro de um túnel ou qualquer outro lugar protegido, onde as larvas nascerão posteriormente e se alimentarão dele durante este seu desenvolvimento.

Vale lembrar que a picada de uma vespa é tão dolorida que em certos casos pode desencadear uma série de complicações, especialmente se a pessoa for alérgica a picadas se insetos.

IMPORTANTE: Ao ser picado por qualquer tipo de vespa, abelha, ou outros animais dotados de veneno é de extrema importância procurar um médico capacitado para o bom atendimento do paciente. Evite as práticas caseiras, pois não têm fundamentos científicos e quando funcionam foi por coincidência. Estas atitudes dificultam e prejudicam ainda mais o estado do paciente. Portanto, cuidado!


A vespa, com aproximadamente 5 cm, captura uma aranha caranguejeira.


Após abrir um buraco ou montar o abrigo a vespa coloca o hospedeiro no seu interior e tampa a entrada com pedras colocadas como um quebra-cabeça.


Observe que, enquanto a vespa tenta depositar o ovo em uma lagarta, um macho tenta acasalar (Foto: Renato Caleme, tirada no Zooparque em Itatiba/SP).

Esta Ampulex compressa usa como hospeiro uma barata.

Abaixo um vídeo feito durante um dia de trabalho. Neste dia não sabia o nome da bendita, mas tive que procurar para colocar em um mini-curso sobre animais peçonhentos. Ela é conhecida por Vespa-tarântula (Pepsis ruficornis), tem 5 cm e vive no interior de matas. No filme ela captura uma aranha armadeira (Phoneutria nigriventer) fêmea adulta.

video



Vespa-tarântula (Pepsis ruficornis)


Desperte sua curiosidade e pesquise mais sobre esses magníficos animais!


Agradecimento:

Biólogo William Zaca: Sugestão da matéria

Próxima matéria: ESPÉCIES INVASORAS

Abraços!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

BEIJA-GARRAFAS

Beija-flor-de-pescoço-vermelho (Archilocus colubris)

Após um intervalo de trabalho e outro, enquanto a inspiração não vem, vamos refletindo sobre nosso tema de hoje: BEIJA-GARRAFAS. Bom, o certo é Beija-flor, mas a situação destas aves está tão complicada que é preciso tocar um pouco no assunto.

Atualmente o planeta está passando por tumultuosos problemas ambientais. O mundo ainda não entendeu que, daqui pouquíssimos anos, muito irá mudar. Lembro-me, semanas atrás, do nosso presidente Lula assinando um tratado, junto a outros presidentes, que garantia a diminuição da poluição até 2050.

Gente, quando pequeno, no inverno, principalmente em julho, eu sempre usava um casaco de pele (artificial, veja bem!), pois o frio era muito intenso e chegava a doer. Porém, quinze anos se passaram, os computadores vieram à tona. A industrialização, que já era grande, aumentou demais e muitos poluentes, queimadas e desmatamentos contribuíram para um aumento drástico da temperatura no planeta. Nessa época, aliás, antes disso, eu já não utilizava mais aquele casaco. Foram apenas quinze anos para haver uma bela mudança. A temperatura aumentou e o inverno já não era tão intenso assim.

Você acha que em 2050 ainda restará Urso-polar?

É preciso mudar o hoje, o agora! Comecemos em nossa casa, nosso bairro, cidade, Estado, país, continente... Mas vamos ser mais concretos e iniciar por nossa casa!

Constantemente observo os animais, mas em especial as aves. Elas são muito inteligentes, têm uma capacidade de adaptação muito grande, habitando praticamente todos os cantos da Terra. Dentre estas estão os pequeninos Beija-flores, que não são pássaros (como vimos na matéria “Que passarinho é esse mãe?”, de 9 de julho de 2009) e sim aves perfeitamente adaptadas e muito singular quanto a sua morfologia.

Tesourão (Eupetomena macroura)


Os Beija-flores, ou simplesmente Colibris, encantam e sabem enfeitar nossos jardins, bosques e sacadas. É certo que estas aves, além de nos trazer paz e amplitude também têm uma grande importância para a natureza: a polinização. Isso mesmo! Não somente os insetos, como abelhas, mas os Beija-flores contribuem, e muito, com a polinização.

Bicos especializados

Existem diversas espécies de Beija-flores e uma explosão de cores e formas. Estão distribuídas pelas Américas e vivem em diversos tipos de habitats, como as florestas e até mesmo nos desertos. Cada flor mantém uma espécie em particular que a poliniza e, em troca, fornece o néctar, alimento açucarado altamente energético, para seus visitantes.

Beija-flor-barbudo-de-elmo (Oxipogon guerinii)

Beija-flor-bico-de-espada (Ensifera ensifera)

Beija-flor-bico-de-foice (Eutoxeres aquila)

Besourão-de-rabo-branco (Phaetornis eurynome)

Ornamentos para namorar

No meio humano as mulheres sempre são as mais bonitas, cheirosas, atraentes, etc. Porém, no mundo dos animais a situação muda! É isso mesmo, neste reino quem tem que dançar pra conquistar as fêmeas é os machos. Muitos adornos são utilizados única e exclusivamente para este fim, a corte.

Beija-flor-de-cabeça-preta (Trochiclus polytmus)

Beija-flor-sílfide (Loddigesia mirabilis)

Beija-flor-de-topete-verde (Stephanoscis lalandi)

Beija-flor-brilho-de-fogo (Topaza pella)


Os machos são territorialistas e defendem com muita intensidade seu território, até porque uma fonte de néctar pode sugerir uma fêmea em potencial. Portanto eles se portam de forma violenta, mas cuidadosa, entre si e também com outros vizinhos que possam atormentar com sua presença.

Ao acasalar cada um vai para um canto e dá continuidade a sua vida. O macho continua a rondar seu território e conquistar novas fêmeas. A fêmea se isola e começa os preparativos para a construção do ninho: musgos, gravetos e muita teia, material importantíssimo para acabamento final.




A fêmea bota apenas dois ovos, pois seu ninho não comporta mais e ela não conseguiria alimentar mais que dois filhotes.

Com três ou quatro semanas os pequenos Beija-flores estão prontos para deixar o ninho e começar a dominar o vôo com rapidez e facilidade. Mas ainda têm dificuldade de se alimentar sozinhos necessitando do auxílio da mãe.

Infelizmente, tanta cor e alegoria assim não fazem do Beija-flor macho um pai tão exemplar como sua mãe.

Grandes comilões

Embora sejam muito pequenos, eles gastam uma grande quantidade de energia porque estão sempre em movimento: suas asas, por exemplo, são as mais rápidas, com média de 70 batidas por segundo (estas batidas podem variar conforme a espécie). Logo, são necessárias muitas flores para se alimentar, além da proteína fornecida pelos insetos que caçam para manter toda sua musculatura fortalecida.

Água com açúcar faz mal?

O açúcar não é prejudicial, embora devido à fermentação da água açucarada, os restos que ficam no fundo das garrafinhas podem levar à proliferação de fungos e bactérias causadoras de doenças. Estes podem se alojar na língua das aves fazendo com que ela se torne túrgida impedindo-o de respirar livremente. A Candidíase, ocasionada pela Candida albicans é muito encontrada nestes casos, porém há outros tipos de Candida podendo ser ainda piores.

Para evitar a proliferação desses microrganismos, é preciso seguir uma rotina de limpeza do recipiente, que inclui a lavagem diária com escova e a troca da água. A quantidade de açúcar a ser utilizada é de duas colheres de sopa rasas para a quantidade de água que cabe na garrafinha. Preconiza-se utilizar açúcar cristal no lugar do refinado pelo fato de não ser quimicamente tão elaborado.
Outra opção é um açúcar desenvolvido por uma empresa (alcon) especialmente para esta finalidade e que parece estar muito próximo do esperado.


Há pessoas que acreditam que colocando mel ou groselha misturada a água torna tão eficaz quanto o próprio açúcar. Isto é uma afirmação incorreta, pois do mesmo modo que o açúcar, estes também podem entrar em contato com o calor e acabar fermentando a solução que ali está contida.

Portanto: Você prefere comer Mc Donald’s a vida inteira ou ter uma alimentação saudável e viver mais?

Receita caseira


Mas, já que o ser humano insiste nessas garrafinhas e não podemos mudar essa cultura, pelo menos que seja uma fórmula mais nutritiva. A receita abaixo foi desenvolvida por um veterinário muito conhecido e respeitado por todas as entidades competentes do ramo, o Prof. Dr. José Ricardo Pachaly, e sugerida por minha amiga veterinária Angela Coraiola.

Tome nota:

1 xícara de açúcar cristal;
1 colher de sopa de Meritene ou Glicopan;
4 xícaras de água fervida;
5 gotas de suplemento vitamínico-mineral Vita-Gold ou Hidrovit.

Fonte: Pachaly, 1992
Curiosidades: maior e o menor

A maior ave atual que habita este planeta é o Avestruz (Struthio camelus), que se origina no continente africano. Porém, a menor delas, se encontra em Cuba e se chama Beija-flor-abelha (Mellisuga helenae). Possui em média 5 cm de comprimento e pesa 1,8 gramas.


Mas, no grupo dos Beija-flores, encontramos também um grande representante, o Beija-flor-gigante (Patagona gigas), que mede 21,5 cm e pesa em torno de 18 gramas. Ele vive nos Andes, desde o norte do Equador até o sul do continente.


Para alguns pesquisadores o tamanho, maior ou menor, é expresso pela massa corpórea do animal em questão. Já para outros, o valor seguido vai da medida do focinho/bico até a extremidade da cauda (cada classe possui uma marcação especial). Aqui estamos adotando o padrão referente ao comprimento.

Atente seus olhos!

Nem todos os animais que freqüentam as garrafinhas ou flores são Beija-flores. Há também aves de outros continentes que poderiam se confundir com Beija-flores, na visão de um leigo. Na realidade, a falta de observação e possivelmente conhecimento adequado leva a tais erros. Outro caso muito comum é da Borboleta-colibri, um inseto que possui hábito muito semelhantes ao vôo dos Beija-flores.

Martim-pescador-europeu (Alcedo atthis)

Cambacica (Coereba flaveola)

Ariramba-de-cauda-ruiva
(Galbula ruficaudata)

Juruva (Momotus momota)

Borboleta-colibri (Macroglossum stellatarum)


Plantas que atraem aves

Para guardar o néctar das aves, que é um alimento altamente energético, as flores o mantém em tubos ou outras estruturas não acessíveis a animais menores como abelhas pequenas ou besouros. O néctar de uma única flor já seria o suficiente para estes pequenos animais se alimentarem. Assim, eles não buscariam alimento em outras flores e conseqüentemente não fariam à polinização. Isso porque flores especializadas em serem polinizadas por aves possuem o néctar com alta quantidade energética já que as aves possuem grande metabolismo.
Dessa forma, são exemplos de flores que atraem principalmente Beija-flores:

Abutilon (Abutilon sp.);
Brinco-de-princesa (
Fuchsia hybrida);
Helicônia (
Heliconia sp.);
Hibisco (
Hibiscus rosa-sinensis);
Madressilva (
Lonicera japonica);
Malvaviscus (
Malvaviscus arboreus);
Camarão-amarelo (
Pachystachys lutea);
Camarão-vermelho (
Justicia brandegeana);
Flor-de-coral (
Russelia equisetiformis);
Ave-do-paraíso (
Strelitzia reginae, Strelitzia juncea);
Tumbérgia (
Thunbergia erecta,Thunbergia grandiflora);
Sapatinho-de-judia (
Thunbergia mysorensis).

Para atrair outras aves, além dos Beija-flores, uma das estratégias é fornecer alimento através de espécies que possui frutos com a polpa comestível como:

Ameixa-amarela (
Eriobotrya japonica);
Romãzeira (
Punica granatum);
Pitangueira (
Eugenia uniflora);
Jabuticabeira (
Myrciaria cauliflora);
Mamão (
Carica papaya);
Palmito (
Euterpe edulis).

Outra opção é plantar espécies que fornecem sementes que elas gostam:

Canelas (
Ocotea elegans);
Cássia (
Cassia javanica);
Cedro (
Cedrela fissilis);
Inga (
Inga uruguensis);
Quaresmeiras (
Tibouchina granulosa, Tibouchina mutabilis);
Pinheiro-do-paraná (
Araucaria angustifolia).

Ou ainda, para oferecer material para construção de ninho recomenda-se plantar:
agaves, fórmio, bromélias, bambus. E se você deseja que elas fiquem permanentemente no local, escolha espécies onde as aves gostam de construir ninhos:

Jacarandá-mimoso;
Pata-de-vaca;
Tipuana;
Palmeiras-jerivá (
Syagrus picrophylla, Syagrus romanzoffiana);
Palmeira-imperial (
Roystonea oleracea);
Palmeira-real (
Roystonea regia);
Palmeira-de-leque-da-china (
Livistona chinensis);
Palmeira-washingtônia (
Washingtonia robusta).

Além dessas, Euphorbia pulcherrima, Eucalyptus, algumas espécies de maracujá de flores vermelhas e muitas espécies de cactos, bananeiras e orquídeas, também servem para atrair as aves. E as paineiras (Chorisia speciosa) que oferece local e fibra para construção de ninho, além das sementes como alimento.

Estes são apenas alguns exemplos de inúmeras espécies que podem ser plantadas. Para a escolha certa, leve em consideração as condições ambientais, a vegetação nativa de sua região e a diversidade de animais que cercam aquele ambiente. Assim você estará ajudando na conservação das espécies e protegendo a flora e a fauna brasileira.

Afinal, é Beija-flor ou Beija-garrafa?


O MELHOR MESMO É MANTER FLORES EM SEUS JARDINS!


Agradecimentos

William Zaca (Biólogo): Sugestão da matéria
André Ruschi (Biólogo): Candida; Comprimento X Massa corpórea
http://www.augustoruschi.com.br/
Angela Coraiola (Veterinária): Receita caseira
Site: www.paisagismodigital.com.br/port/Default.aspx


Próxima matéria: VESPA PARASITÓIDE

Abraços!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

VETERINÁRIOS




quinta-feira, 3 de setembro de 2009

UMA RAPIDINHA...


MEU DEUS, MEU DEUS... POR QUE ME ABANDONASTE?

Mais uma vez a nossa tão idolatrada salve, salve internet me surpreende. Ao abrir a página do UOL hoje, 3 de Setembro, Dia do Biólogo, foi impossível não ver um erro gigantesco: “Cascavel verde está entre 350 espécies recém descobertas”. Alguns iriam olhar a foto da serpente, mas eu bati o olho direto no que estava escrito mesmo.


Mas, mesmo após ter falado, na matéria passada “ALMISCAREIROS”, sobre a importância de não repassar e-mails sem ter certeza mais uma vez recebi de algumas pessoas, infelizmente de gente da área também, esta matéria da UOL.


“Mais de 350 novas espécies foram descobertas nos últimos anos no Himalaia oriental, área de riqueza biológica cada vez mais ameaçada pela mudança climática, segundo anúncio feito nesta segunda (10) pela WWF (World Wide Fund for Nature). Na foto, uma cascavel verde (Trimeresurus gumprechti), descoberta em 2002”

Bom, minha gente sinto lhes informar, mas a matéria que segue é falsa. Mas não porque ela foi descoberta e, sim, pelo fato de que a espécie em questão NÃO é uma cascavel e sim uma víbora.
As cascavéis pertencem a dois gêneros muito difundidos na América do Sul, Central e do Norte. O gênero Sistrurus se encontra na América do Norte e Crotalus da América Central ao sul do continente. Pode haver regiões que ambas se encontram. Para se ter certeza é fácil: basta ver se a serpente tem um guizo, ou o popular chocalho. Se não tiver, não faz parte do grupo das cascavéis.

Guizo

Crotalus durissus terrificus

Crotalus ruber

Sistrurus catenatus

Sistrurus catenatus

Já as Trimeresurus costumam subir em árvores e sua cauda enrodilha facilmente por entre os galhos para lhe dar melhor sustentação. São verdes, marrons, beges, amarelas, enfim, existem várias cores e também podem ser encontrados padrões de cor diferentes para uma mesma espécie.


Trimeresurus albolabris

Trimeresurus borneensis
Trimeresurus flavoviridis

Trimeresurus sumatranus


Vale lembrar que estamos aqui para desmentir e/ou consertar aquilo que está errado. Ninguém tem a obrigação de saber tudo, senão talvez seríamos deuses, porém podemos aprender a cada dia mais e mais sobre a realidade.


Quem quiser saber mais sobre estas víboras pode consultar o site abaixo:

http://www.herpbreeder.com/worldspecies/Snakes/vipers/trimeresurus.htm

Abraços e não esqueçam: só repassar o que é verdadeiro!

Próxima matéria: BEIJA-GARRAFAS

terça-feira, 1 de setembro de 2009

FELIZ DIA DO BIÓLOGO!