segunda-feira, 2 de novembro de 2009

ESPÉCIES INVASORAS

Para entendermos melhor a matéria de hoje é preciso saber um pouquinho sobre a biologia dos ambientes.

Um ecossistema é o conjunto formado por todas as comunidades que vivem e interagem dentro de uma determinada região mais os fatores abióticos que atuam sobre estas comunidades. Um fator abiótico consiste de tudo aquilo que não tem vida, ou seja, a água, o sol, solo, gelo, vento. O fator biótico é constituído por animais, plantas e bactérias, ou seja, aqueles que têm vida. Um ecossistema pode ser terrestre ou aquático.

Como funciona?

Os produtores são os organismos capazes de fazer fotossíntese e/ou quimiossíntese. Dentro de um ecossistema existem vários tipos de consumidores, que juntos formam uma cadeia alimentar.

Consumidores primários são os animais que se alimentam dos produtores, ou seja, as espécies herbívoras e não vegetarianas (essa terminologia é usada para os onívoros que preferem se alimentar somente de vegetais, como é o caso do ser humano). Estes animais podem ser desde microscópicas larvas planctônicas (no mar) até grandes mamíferos terrestres como o elefante.

Consumidores secundários são animais que se alimentam dos herbívoros, denominados carnívoros.

Consumidores terciários são os grandes predadores como os tubarões, orcas, leões, etc, os quais capturam grandes presas, sendo considerados os predadores de topo de cadeia. Tem como característica, normalmente, o grande tamanho e menores densidades populacionais. Obs: podem se tornar secundários dependendo da situação, como no exemplo abaixo.

Cadeia formada por: produtor, consumidor primário e consumidor secundário.


Decompositores ou biorredutores são os organismos responsáveis pela decomposição da matéria orgânica, transformando-a em nutrientes minerais que se tornam novamente disponíveis no ambiente. Os decompositores, representados pelas bactérias e fungos, são o último elo da cadeia trófica, fechando o ciclo.

Em outras palavras, para o bom funcionamento de um ecossistema, é necessário que tudo esteja controlado sem a ação de outros organismos agindo contra. É aqui onde entram as espécies invasoras.

Quem são estas espécies?

São aquelas introduzidas, de alguma forma, consciente ou inconscientemente em um habitat que não é de origem daquela espécie. Consciente porque o homem é mestre em querer adquirir espécies como animais de estimação e, quando o bicho cresce, simplesmente descartam jogando na natureza e ainda por cima, acham que estão fazendo um bem para a natureza – o que não é verdade!
Também há casos de introdução controlada para combater certas pragas. Neste caso é introduzido um predador para que se alimente da praga em questão e, posteriormente, este predador (teoricamente) morre e fica tudo bem. Mas não é o que acontece sempre. Para ser uma ação eficaz é necessário uma série de estudos para ver se realmente dará certo. O predador pode não morrer e começar a se alimentar das espécies que não eram pragas. E aí, o que vai acontecer?

Um caso muito comum no mundo todo é a Austrália. Para conter o grande crescimento de insetos, foi introduzido o sapo-cururu (Rhinella marina). Ele não só deu conta do recado como se reproduziu muito bem e começou a competir com as espécies de anuros daquele continente. As rãs, pererecas e até outros sapos de pequeno porte estão correndo um risco muito grande, pois o sapo-cururu é imenso e voraz em sua alimentação. Por sua vez, outros animais que se alimentam de anuros, começaram a morrer porque o veneno que esta espécie produz é muito maior do que seus organismos podem assimilar. Há casos de serpentes, mamíferos e até aves que estão ameaçadas por se alimentarem deste sapo.

Sapo-cururu (Rhinella marina)

Ainda na Austrália, foi introduzido coelhos para se alimentarem de uma erva daninha que estava tomando conta de alguns habitats. Os coelhos se reproduziram muito bem e em grandes números e, posteriormente, acabaram se tornando as próprias pragas, pois estes, se alimentavam também da lavoura do homem. O que aconteceu?

Os ratos são um dos mamíferos mais prolíferos do mundo. Excetuando os pólos, pois são estremamente frios para seu organismo, eles se adaptam em todos os tipos de ambientes, isto se deve também ao fato de comerem qualquer coisa que encontrarem. Cada fêmea pode gerar mais de 12 filhotes a cada 22 dias, e em um ano, ela gera uns 192 filhotes. Multiplicando esse valor somente por 100 ratas vamos obter 19.200 ratinhos novos para comprometer a Austrália. E agora?

Uma fêmea minha gerou 13 neonatos.

A “solução” encontrada foi a introdução de aves de rapina, gatos, como predadores. E aí continua o ciclo.

Bem, isso foi o caso consciente. Existem os casos de introdução de espécies onde o homem não percebe que introduziu ou faz de conta que não percebe, é o caso da água de lastro.

A água de lastro, utilizada em navios de carga como contrapeso para que as embarcações mantenham a estabilidade e a integridade estrutural, é transportada de um país ao outro, e pode disseminar espécies "alienígenas" (que não é dali; é outro nome para invasoras e introduzidas) potencialmente perigosas e daninhas.

Navio eliminando água trazida de outro lugar.

As espécies não aparecem ou invadem um lugar do nada. Geralmente isto ocorre, pois houve intervenção humana no habitat original delas.

Existem animais que migram para outros ambientes, mas isto faz parte da biologia deles, como é o caso de gnus, borboleta-monarca, cegonhas, águias, flamingos, gansos e muito outros.

Brasil

Ninguém sabe, mas nosso país não está livre das espécies invasoras. Os europeus trouxeram muitas espécies como o pardal, a pomba-doméstica, enfim, dentre outros. Também, muitas lojas de animais, vendem aquelas tartaruguinhas de aquário (norte-americana) com a promessa que não crescem, aí o povão compra e depois quer soltar em qualquer lugar, porque o bicho cresceu demais e não tem mais onde deixar. Isto acontece com répteis, aves, mamíferos, peixes, anfíbios, insetos dentre tantas outras.

Pardal (Passer domesticus)

Pomba-doméstica (Columba livia)

Tartaruga-de-orelha-vermelha (Trachemys scripta elegans)
Em Fernando de Noronha, ilha bonita, cheia de vida e riquezas naturais também foi vítima da introdução de espécies. A ilha possui grande quantidade de ratos (inicialmente levados pelas embarcações) e estes predam os animais locais. Para conter o avanço acelerado deles uma pessoa achou que, levando os lagartos-teiú para lá iriam acabar com os ratos, já que no continente estes lagartos comiam ratos e outros animais e vegetais.

Teiú (Tupinambis merianae)

A idéia foi interessante, mas esta pessoa “inteligente” esqueceu de um pequeno detalhe: os ratos são noturnos e os teiús, diurnos. Em palavras simples, os ratos continuam crescendo e as gaivotas, atobás, andorinhas-do-mar e outras aves estão servindo de alimento para os lagartos. Talvez, a grande dica aí, fosse levar répteis do mesmo sexo, mas isso não tiraria o problema dos ratos, pois eles saem de noite, enquanto os lagartos estariam dormindo.


Exótico e nativo

Outro dia, enquanto segurava um papagaio-de-peito-roxo no zôo onde trabalhava, um casal se aproximou e disse: “Nossa, que ave exótica bonita!”. Eu sorri e falei um pouco sobre a biologia do bicho.

A palavra “exótico” é usada para aqueles que não fazem parte do ambiente em que estão. Um rinoceronte, no Brasil, é exótico. Na África, ele se torna “nativo”, isso porque ele é originário de lá. A onça-pintada é nativa do Brasil, porém, é exótica na França.
Mas, o que acontece se eu levar um animal que só existe no nordeste brasileiro para o sul do país? Pois bem, este animal é nativo do Brasil, mas é exótico no sul do Brasil.

Alguns invasores

Mexilhão Dourado (Limnoperna fortunei)
Origem: China e Sudeste da Ásia

Rã-touro (Lithobates catesbeianus)
Origem: América do Norte


Tilápia-do-Nilo (Oreochromis niloticus)
Origem: África e Oriente Médio

Bico-de-lacre (Estrida astrild)
Origem: África


Caramujo-africano (Achatina fulica)
Origem: Leste da África

Desperte sua curiosidade e pesquise mais sobre esses magníficos animais!

Agradecimentos:

Bióloga Raquel Fiuza: parte da matéria

Bióloga Glaucilene Ferreira Catroli: correção de nome científico

Próxima matéria: TIGRE VS HOMEM

Abraços!

domingo, 11 de outubro de 2009

VESPA PARASITÓIDE


Semanas atrás dei uma entrevista para um grupo de futuros jornalistas que estavam fazendo uma matéria para o TCC. Após várias perguntas e respostas também gravaram alguns bichos e perderam o medo de outros tocando em uma serpente.

Enquanto estávamos gravando no quintal de minha casa, uma das jornalistas apontou para o telhado e disse: “Olha, você cria abelhas também!?”. “Na realidade não se trata de abelhas”, respondi. “São vespas!”, concluindo. As jornalistas se entreolharam e acho que pensaram: “E não é a mesma coisa?”

Sempre encontramos esses erros, mas ninguém é obrigado a saber essas diferenças. Vamos ver melhor isto...


Abelha


Denominação comum aos diversos insetos da ordem Hymenoptera, onde também estão presentes as vespas e formigas. O representante mais conhecido é a Apis mellifera, originária do Velho Mundo*, que é criada amplamente para a produção de mel.

Apis mellifera


Abelhas do Novo Mundo** não possuem ferrão. A maioria destas pertence ao grupo das Meliponini. Apesar de não estarem classificados como Novo Mundo, também há algumas espécies na África e Austrália (Novíssimo Mundo***).

Jataí (Tetragonisca angustula)


* Velho Mundo compreende os continentes já conhecidos pelos europeus, como a Europa, Ásia e África;

** Novo Mundo é um dos nomes dados à América pelos europeus na época de sua descoberta. O continente era novo para os europeus;

*** Novíssimo Mundo é indicada para a Oceania por se tratar da última grande região do planeta a ser “descoberta”.



Vespa

Da mesma ordem das abelhas, Hymenoptera, são divididas em duas subordens Apocrita e Symphyta. As larvas Apocrita são carnívoras ou parasitóides, enquanto as Symphyta são herbívoras. No Brasil são conhecidas como “marimbondos” as vespas da família Vespidae, Pompilidae e Sphecidae. Em algumas regiões também são chamadas por zangões. As vespas são extremamente importantes no controle biológico uma vez que quase todos os insetos considerados como praga têm uma vespa como predador natural.

Vespa parasitóide

Antes de tudo, parasitas são animais que buscam garantir, através de um ser de outra espécie, algum benefício que não são capazes de conseguir sozinhos. As vespas parasitóides, parasitas, ou ainda vespa tarântula, são aquelas carnívoras que se alimentam justamente desse hospedeiro.

Elas costumam procurar por uma lagarta, aranha ou até mesmo outro animal ao qual será seu “voluntário” para sua investida. Ao achar a vítima, com diversos rasantes e várias tentativas, pois nem sempre é tão fácil assim, a vespa dá uma ferroada no futuro hospedeiro. Seu veneno paralisa temporariamente o animal enquanto ela introduz um ou mais ovos no mesmo. Há casos que o hospedeiro continua levando sua vida normalmente e outros que são mantidos frescos, dentro de um túnel ou qualquer outro lugar protegido, onde as larvas nascerão posteriormente e se alimentarão dele durante este seu desenvolvimento.

Vale lembrar que a picada de uma vespa é tão dolorida que em certos casos pode desencadear uma série de complicações, especialmente se a pessoa for alérgica a picadas se insetos.

IMPORTANTE: Ao ser picado por qualquer tipo de vespa, abelha, ou outros animais dotados de veneno é de extrema importância procurar um médico capacitado para o bom atendimento do paciente. Evite as práticas caseiras, pois não têm fundamentos científicos e quando funcionam foi por coincidência. Estas atitudes dificultam e prejudicam ainda mais o estado do paciente. Portanto, cuidado!


A vespa, com aproximadamente 5 cm, captura uma aranha caranguejeira.


Após abrir um buraco ou montar o abrigo a vespa coloca o hospedeiro no seu interior e tampa a entrada com pedras colocadas como um quebra-cabeça.


Observe que, enquanto a vespa tenta depositar o ovo em uma lagarta, um macho tenta acasalar (Foto: Renato Caleme, tirada no Zooparque em Itatiba/SP).

Esta Ampulex compressa usa como hospeiro uma barata.

Abaixo um vídeo feito durante um dia de trabalho. Neste dia não sabia o nome da bendita, mas tive que procurar para colocar em um mini-curso sobre animais peçonhentos. Ela é conhecida por Vespa-tarântula (Pepsis ruficornis), tem 5 cm e vive no interior de matas. No filme ela captura uma aranha armadeira (Phoneutria nigriventer) fêmea adulta.

video



Vespa-tarântula (Pepsis ruficornis)


Desperte sua curiosidade e pesquise mais sobre esses magníficos animais!


Agradecimento:

Biólogo William Zaca: Sugestão da matéria

Próxima matéria: ESPÉCIES INVASORAS

Abraços!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

BEIJA-GARRAFAS

Beija-flor-de-pescoço-vermelho (Archilocus colubris)

Após um intervalo de trabalho e outro, enquanto a inspiração não vem, vamos refletindo sobre nosso tema de hoje: BEIJA-GARRAFAS. Bom, o certo é Beija-flor, mas a situação destas aves está tão complicada que é preciso tocar um pouco no assunto.

Atualmente o planeta está passando por tumultuosos problemas ambientais. O mundo ainda não entendeu que, daqui pouquíssimos anos, muito irá mudar. Lembro-me, semanas atrás, do nosso presidente Lula assinando um tratado, junto a outros presidentes, que garantia a diminuição da poluição até 2050.

Gente, quando pequeno, no inverno, principalmente em julho, eu sempre usava um casaco de pele (artificial, veja bem!), pois o frio era muito intenso e chegava a doer. Porém, quinze anos se passaram, os computadores vieram à tona. A industrialização, que já era grande, aumentou demais e muitos poluentes, queimadas e desmatamentos contribuíram para um aumento drástico da temperatura no planeta. Nessa época, aliás, antes disso, eu já não utilizava mais aquele casaco. Foram apenas quinze anos para haver uma bela mudança. A temperatura aumentou e o inverno já não era tão intenso assim.

Você acha que em 2050 ainda restará Urso-polar?

É preciso mudar o hoje, o agora! Comecemos em nossa casa, nosso bairro, cidade, Estado, país, continente... Mas vamos ser mais concretos e iniciar por nossa casa!

Constantemente observo os animais, mas em especial as aves. Elas são muito inteligentes, têm uma capacidade de adaptação muito grande, habitando praticamente todos os cantos da Terra. Dentre estas estão os pequeninos Beija-flores, que não são pássaros (como vimos na matéria “Que passarinho é esse mãe?”, de 9 de julho de 2009) e sim aves perfeitamente adaptadas e muito singular quanto a sua morfologia.

Tesourão (Eupetomena macroura)


Os Beija-flores, ou simplesmente Colibris, encantam e sabem enfeitar nossos jardins, bosques e sacadas. É certo que estas aves, além de nos trazer paz e amplitude também têm uma grande importância para a natureza: a polinização. Isso mesmo! Não somente os insetos, como abelhas, mas os Beija-flores contribuem, e muito, com a polinização.

Bicos especializados

Existem diversas espécies de Beija-flores e uma explosão de cores e formas. Estão distribuídas pelas Américas e vivem em diversos tipos de habitats, como as florestas e até mesmo nos desertos. Cada flor mantém uma espécie em particular que a poliniza e, em troca, fornece o néctar, alimento açucarado altamente energético, para seus visitantes.

Beija-flor-barbudo-de-elmo (Oxipogon guerinii)

Beija-flor-bico-de-espada (Ensifera ensifera)

Beija-flor-bico-de-foice (Eutoxeres aquila)

Besourão-de-rabo-branco (Phaetornis eurynome)

Ornamentos para namorar

No meio humano as mulheres sempre são as mais bonitas, cheirosas, atraentes, etc. Porém, no mundo dos animais a situação muda! É isso mesmo, neste reino quem tem que dançar pra conquistar as fêmeas é os machos. Muitos adornos são utilizados única e exclusivamente para este fim, a corte.

Beija-flor-de-cabeça-preta (Trochiclus polytmus)

Beija-flor-sílfide (Loddigesia mirabilis)

Beija-flor-de-topete-verde (Stephanoscis lalandi)

Beija-flor-brilho-de-fogo (Topaza pella)


Os machos são territorialistas e defendem com muita intensidade seu território, até porque uma fonte de néctar pode sugerir uma fêmea em potencial. Portanto eles se portam de forma violenta, mas cuidadosa, entre si e também com outros vizinhos que possam atormentar com sua presença.

Ao acasalar cada um vai para um canto e dá continuidade a sua vida. O macho continua a rondar seu território e conquistar novas fêmeas. A fêmea se isola e começa os preparativos para a construção do ninho: musgos, gravetos e muita teia, material importantíssimo para acabamento final.




A fêmea bota apenas dois ovos, pois seu ninho não comporta mais e ela não conseguiria alimentar mais que dois filhotes.

Com três ou quatro semanas os pequenos Beija-flores estão prontos para deixar o ninho e começar a dominar o vôo com rapidez e facilidade. Mas ainda têm dificuldade de se alimentar sozinhos necessitando do auxílio da mãe.

Infelizmente, tanta cor e alegoria assim não fazem do Beija-flor macho um pai tão exemplar como sua mãe.

Grandes comilões

Embora sejam muito pequenos, eles gastam uma grande quantidade de energia porque estão sempre em movimento: suas asas, por exemplo, são as mais rápidas, com média de 70 batidas por segundo (estas batidas podem variar conforme a espécie). Logo, são necessárias muitas flores para se alimentar, além da proteína fornecida pelos insetos que caçam para manter toda sua musculatura fortalecida.

Água com açúcar faz mal?

O açúcar não é prejudicial, embora devido à fermentação da água açucarada, os restos que ficam no fundo das garrafinhas podem levar à proliferação de fungos e bactérias causadoras de doenças. Estes podem se alojar na língua das aves fazendo com que ela se torne túrgida impedindo-o de respirar livremente. A Candidíase, ocasionada pela Candida albicans é muito encontrada nestes casos, porém há outros tipos de Candida podendo ser ainda piores.

Para evitar a proliferação desses microrganismos, é preciso seguir uma rotina de limpeza do recipiente, que inclui a lavagem diária com escova e a troca da água. A quantidade de açúcar a ser utilizada é de duas colheres de sopa rasas para a quantidade de água que cabe na garrafinha. Preconiza-se utilizar açúcar cristal no lugar do refinado pelo fato de não ser quimicamente tão elaborado.
Outra opção é um açúcar desenvolvido por uma empresa (alcon) especialmente para esta finalidade e que parece estar muito próximo do esperado.


Há pessoas que acreditam que colocando mel ou groselha misturada a água torna tão eficaz quanto o próprio açúcar. Isto é uma afirmação incorreta, pois do mesmo modo que o açúcar, estes também podem entrar em contato com o calor e acabar fermentando a solução que ali está contida.

Portanto: Você prefere comer Mc Donald’s a vida inteira ou ter uma alimentação saudável e viver mais?

Receita caseira


Mas, já que o ser humano insiste nessas garrafinhas e não podemos mudar essa cultura, pelo menos que seja uma fórmula mais nutritiva. A receita abaixo foi desenvolvida por um veterinário muito conhecido e respeitado por todas as entidades competentes do ramo, o Prof. Dr. José Ricardo Pachaly, e sugerida por minha amiga veterinária Angela Coraiola.

Tome nota:

1 xícara de açúcar cristal;
1 colher de sopa de Meritene ou Glicopan;
4 xícaras de água fervida;
5 gotas de suplemento vitamínico-mineral Vita-Gold ou Hidrovit.

Fonte: Pachaly, 1992
Curiosidades: maior e o menor

A maior ave atual que habita este planeta é o Avestruz (Struthio camelus), que se origina no continente africano. Porém, a menor delas, se encontra em Cuba e se chama Beija-flor-abelha (Mellisuga helenae). Possui em média 5 cm de comprimento e pesa 1,8 gramas.


Mas, no grupo dos Beija-flores, encontramos também um grande representante, o Beija-flor-gigante (Patagona gigas), que mede 21,5 cm e pesa em torno de 18 gramas. Ele vive nos Andes, desde o norte do Equador até o sul do continente.


Para alguns pesquisadores o tamanho, maior ou menor, é expresso pela massa corpórea do animal em questão. Já para outros, o valor seguido vai da medida do focinho/bico até a extremidade da cauda (cada classe possui uma marcação especial). Aqui estamos adotando o padrão referente ao comprimento.

Atente seus olhos!

Nem todos os animais que freqüentam as garrafinhas ou flores são Beija-flores. Há também aves de outros continentes que poderiam se confundir com Beija-flores, na visão de um leigo. Na realidade, a falta de observação e possivelmente conhecimento adequado leva a tais erros. Outro caso muito comum é da Borboleta-colibri, um inseto que possui hábito muito semelhantes ao vôo dos Beija-flores.

Martim-pescador-europeu (Alcedo atthis)

Cambacica (Coereba flaveola)

Ariramba-de-cauda-ruiva
(Galbula ruficaudata)

Juruva (Momotus momota)

Borboleta-colibri (Macroglossum stellatarum)


Plantas que atraem aves

Para guardar o néctar das aves, que é um alimento altamente energético, as flores o mantém em tubos ou outras estruturas não acessíveis a animais menores como abelhas pequenas ou besouros. O néctar de uma única flor já seria o suficiente para estes pequenos animais se alimentarem. Assim, eles não buscariam alimento em outras flores e conseqüentemente não fariam à polinização. Isso porque flores especializadas em serem polinizadas por aves possuem o néctar com alta quantidade energética já que as aves possuem grande metabolismo.
Dessa forma, são exemplos de flores que atraem principalmente Beija-flores:

Abutilon (Abutilon sp.);
Brinco-de-princesa (
Fuchsia hybrida);
Helicônia (
Heliconia sp.);
Hibisco (
Hibiscus rosa-sinensis);
Madressilva (
Lonicera japonica);
Malvaviscus (
Malvaviscus arboreus);
Camarão-amarelo (
Pachystachys lutea);
Camarão-vermelho (
Justicia brandegeana);
Flor-de-coral (
Russelia equisetiformis);
Ave-do-paraíso (
Strelitzia reginae, Strelitzia juncea);
Tumbérgia (
Thunbergia erecta,Thunbergia grandiflora);
Sapatinho-de-judia (
Thunbergia mysorensis).

Para atrair outras aves, além dos Beija-flores, uma das estratégias é fornecer alimento através de espécies que possui frutos com a polpa comestível como:

Ameixa-amarela (
Eriobotrya japonica);
Romãzeira (
Punica granatum);
Pitangueira (
Eugenia uniflora);
Jabuticabeira (
Myrciaria cauliflora);
Mamão (
Carica papaya);
Palmito (
Euterpe edulis).

Outra opção é plantar espécies que fornecem sementes que elas gostam:

Canelas (
Ocotea elegans);
Cássia (
Cassia javanica);
Cedro (
Cedrela fissilis);
Inga (
Inga uruguensis);
Quaresmeiras (
Tibouchina granulosa, Tibouchina mutabilis);
Pinheiro-do-paraná (
Araucaria angustifolia).

Ou ainda, para oferecer material para construção de ninho recomenda-se plantar:
agaves, fórmio, bromélias, bambus. E se você deseja que elas fiquem permanentemente no local, escolha espécies onde as aves gostam de construir ninhos:

Jacarandá-mimoso;
Pata-de-vaca;
Tipuana;
Palmeiras-jerivá (
Syagrus picrophylla, Syagrus romanzoffiana);
Palmeira-imperial (
Roystonea oleracea);
Palmeira-real (
Roystonea regia);
Palmeira-de-leque-da-china (
Livistona chinensis);
Palmeira-washingtônia (
Washingtonia robusta).

Além dessas, Euphorbia pulcherrima, Eucalyptus, algumas espécies de maracujá de flores vermelhas e muitas espécies de cactos, bananeiras e orquídeas, também servem para atrair as aves. E as paineiras (Chorisia speciosa) que oferece local e fibra para construção de ninho, além das sementes como alimento.

Estes são apenas alguns exemplos de inúmeras espécies que podem ser plantadas. Para a escolha certa, leve em consideração as condições ambientais, a vegetação nativa de sua região e a diversidade de animais que cercam aquele ambiente. Assim você estará ajudando na conservação das espécies e protegendo a flora e a fauna brasileira.

Afinal, é Beija-flor ou Beija-garrafa?


O MELHOR MESMO É MANTER FLORES EM SEUS JARDINS!


Agradecimentos

William Zaca (Biólogo): Sugestão da matéria
André Ruschi (Biólogo): Candida; Comprimento X Massa corpórea
http://www.augustoruschi.com.br/
Angela Coraiola (Veterinária): Receita caseira
Site: www.paisagismodigital.com.br/port/Default.aspx


Próxima matéria: VESPA PARASITÓIDE

Abraços!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

VETERINÁRIOS




quinta-feira, 3 de setembro de 2009

UMA RAPIDINHA...


MEU DEUS, MEU DEUS... POR QUE ME ABANDONASTE?

Mais uma vez a nossa tão idolatrada salve, salve internet me surpreende. Ao abrir a página do UOL hoje, 3 de Setembro, Dia do Biólogo, foi impossível não ver um erro gigantesco: “Cascavel verde está entre 350 espécies recém descobertas”. Alguns iriam olhar a foto da serpente, mas eu bati o olho direto no que estava escrito mesmo.


Mas, mesmo após ter falado, na matéria passada “ALMISCAREIROS”, sobre a importância de não repassar e-mails sem ter certeza mais uma vez recebi de algumas pessoas, infelizmente de gente da área também, esta matéria da UOL.


“Mais de 350 novas espécies foram descobertas nos últimos anos no Himalaia oriental, área de riqueza biológica cada vez mais ameaçada pela mudança climática, segundo anúncio feito nesta segunda (10) pela WWF (World Wide Fund for Nature). Na foto, uma cascavel verde (Trimeresurus gumprechti), descoberta em 2002”

Bom, minha gente sinto lhes informar, mas a matéria que segue é falsa. Mas não porque ela foi descoberta e, sim, pelo fato de que a espécie em questão NÃO é uma cascavel e sim uma víbora.
As cascavéis pertencem a dois gêneros muito difundidos na América do Sul, Central e do Norte. O gênero Sistrurus se encontra na América do Norte e Crotalus da América Central ao sul do continente. Pode haver regiões que ambas se encontram. Para se ter certeza é fácil: basta ver se a serpente tem um guizo, ou o popular chocalho. Se não tiver, não faz parte do grupo das cascavéis.

Guizo

Crotalus durissus terrificus

Crotalus ruber

Sistrurus catenatus

Sistrurus catenatus

Já as Trimeresurus costumam subir em árvores e sua cauda enrodilha facilmente por entre os galhos para lhe dar melhor sustentação. São verdes, marrons, beges, amarelas, enfim, existem várias cores e também podem ser encontrados padrões de cor diferentes para uma mesma espécie.


Trimeresurus albolabris

Trimeresurus borneensis
Trimeresurus flavoviridis

Trimeresurus sumatranus


Vale lembrar que estamos aqui para desmentir e/ou consertar aquilo que está errado. Ninguém tem a obrigação de saber tudo, senão talvez seríamos deuses, porém podemos aprender a cada dia mais e mais sobre a realidade.


Quem quiser saber mais sobre estas víboras pode consultar o site abaixo:

http://www.herpbreeder.com/worldspecies/Snakes/vipers/trimeresurus.htm

Abraços e não esqueçam: só repassar o que é verdadeiro!

Próxima matéria: BEIJA-GARRAFAS

terça-feira, 1 de setembro de 2009

FELIZ DIA DO BIÓLOGO!











quarta-feira, 26 de agosto de 2009

ALMISCAREIROS


INTERNET. É um meio de comunicação muito bom. Ela facilita a vida de muitas pessoas, agiliza certos processos, mantém vínculos que seriam impossíveis anos atrás, faz da tua vida uma alegria... Ou não!

Isso mesmo. A internet também é uma fonte que espalha medo, terror, ódio, desgraças e, para não ficar de fora, informações falsas.
Quantas vezes você já não recebeu e-mails falando sobre “corrente”, que é para você passar adiante? Ou então fotos de pessoas famosas ao lado de foto, destas mesmas pessoas, mas de anos atrás? Ou ainda, montagens feitas por computação gráfica onde o rosto de uma pessoa está no corpo de outra?

Agora, referente ao interesse deste blog, o que seria pior é receber e-mails de animais. Quantas vezes você já recebeu um destes e-mails e, sem saber se era verdade o seu conteúdo, o repassou e ainda escreveu: “NOSSA GENTE, FIQUEI INDIGNADO(A)!!! VAMOS PASSAR A DIANTE E MOSTRAR ESSA REALIDADE!!!”, heim? Quantas vezes você já fez isso? Pois bem, se é um leigo no assunto, eu até relevo. Mas se é algum biólogo/bióloga que é meu/minha amigo/amiga... Ahhh, aí o bicho pega. Como nós, profissionais da biologia, podemos repassar algo que não temos certeza? Mas atenção: não é só em nossa área que essas coisas acontecem! Portanto vamos abrindo os olhos minha gente.

Eu falo, falo, falo, mas não digo aonde quero chegar. Isso tudo é a introdução. Faz parte da mística, entende?! Tenho certeza que você entende!

Acontece que está rolando por aí um e-mail que fala sobre almíscar, mas o texto está incorreto. Ele mostra a foto de um bicho, o Almiscareiro (Civettictis civetta), ou simplesmente Civeta, e o texto de um cervo, o Almiscareiro (Moschus moschiferus). Lógico que alguém conseguiu algumas fotos bem fortes sobre este animal (Civeta) e deu uma caramelada errônea montando um e-mail meio estranho.

Portanto, a nossa idéia é mostrar o correto e também aquilo que muitos nunca pensaram que poderia existir. Vale lembrar que é possível sim, em muitos casos, haver maus tratos com muitos animais.

A seguir um pouco sobre os “Almiscarados”.


O que é o Almíscar?


É o nome dado a um perfume obtido a partir de uma substância de forte odor, secretada por uma glândula do veado-almiscareiro, de outros animais e também de algumas plantas de odor similar.

A variedade que é comercializada é a secreção do veado-almiscareiro, porém o odor se encontra também no boi-almiscarado (Ovibos moschatus), no rato-almiscarado (Ondatra zibethicus), no pato-almiscarado (Biziura lobata) entre outros animais.
Boi-almiscarado (Ovibos moschatus)

Pato-almiscarado (Biziura lobata)

Rato-almiscarado, Ondatra (Ondatra zibethicus)

Para obter-se o perfume do veado-almiscareiro, mata-se o animal e se extrai completamente a glândula, que é secada ao sol, sobre uma pedra quente ou submergindo-a em azeite quente. É comercializada sob duas formas: a glândula inteira ou o perfume extraído do seu receptáculo.

Seu aroma não é só mais penetrante, como também mais persistente do que qualquer outra substância conhecida. É uma matéria prima muito importante em perfumaria, dando força e fixando as essências vegetais com seu aroma poderoso e duradouro.

O almíscar artificial é um produto sintético possuindo um aroma similar ao natural que levou o nome de simtrinitro-butil tolueno. Foi obtido pelo químico Albert Baur em 1888 condensando tolueno com brometo de isobutila em presença de cloreto de alumínio, e nitrogenando o produto obtido. Se tem criado muitas fórmulas similares, e acredita-se que o odor depende da simetria dos três grupos nitrogenados. A descoberta do almíscar sintético pode estar evitando a extinção do cervo-almiscarado. Mas infelizmente ainda há muitos fabricantes clandestinos que maltratam estes e outros animais e/ou utilizam suas partes para fins inacreditáveis como "curar" certas doenças incuráveis.

Fonte: Wikipédia (adaptado)

Veado almiscareiro (Moschus moschiferus)

O almíscar do veado almiscareiro sempre foi apreciado e era usado pelos gregos e romanos em forma de unguentos perfumados. Em 1300, Marco Pólo contava na Europa como conseguia o almíscar: “Nas noites de lua cheia, o umbigo desse animal incha até formar uma bexiga repleta de sangue. Aí o animal é caçado e retira-se a bolsa, que fica secando ao sol. Dessa maneira consegue-se o bálsamo mais delicado que existe”. O fato é que só os machos com mais de 3 anos secretam o almíscar, uma substância amarronzada e semelhante a cera, produzida por uma glândula que fica numa bolsa na altura do abdome do animal.
O almíscar até hoje é usado nas indústrias de sabonetes, como essência, e na de perfumes, como fixador. Mas como cada macho fornece apenas pouco mais de 200 gramas, o animal tem sido caçado com frequência. Quando se vê perseguido, o veado almiscareiro procura escapar subindo em árvores e refugiando-se na copa. Muitas fêmeas e jovens são capturados em armadilhas, mas eles não secretam o almíscar.

O veado almiscareiro tem sobrevivido por ser um animal de tamanho reduzido e de hábitos pouco conhecidos. É solitário e raramente se une 2 ou 3 companheiros. Dorme em abrigos durante o dia e a noite sai à procura de capim, brotos macios, líquens, musgos e galhos de árvores. Prefere viver em florestas localizadas a mais de 2 mil metros de altitude.

Artiodáctilo da família dos cervídeos vive na Ásia Central e Oriental. Mede 1 metro de comprimento aproximadamente e 61 centímetros de altura e chega a pesar 11 quilos. Os casais se unem em janeiro e o filhote nasce 5 meses depois, com o pêlo todo manchado. Com três anos os machos começam a secretar o almíscar, época que precisa tomar cuidado com seus perseguidores.

Crânio de Moschus moschiferus

Almiscareiro (Civettictis civetta)

O almiscareiro é uma das espécies mais conhecidas da família dos Viverrídeos, que inclui alguns dos mais antigos carnívoros do mundo, como a geneta e o mangusto. Algumas espécies foram, e ainda são, domesticadas pelo homem.


Almiscareiro (Civettictis civetta)

Na Antiguidade, seu primo, o mangusto, era adorado como animal sagrado pelos povos da Ásia e do norte da África, pois livrava as moradias de ratos, serpentes e escorpiões.
No Egito Antigo, antes que o gato fosse domesticado, era a geneta que caçava ratos. Alguns povos ainda mantém esse costume.

Geneta (Genetta genetta)

O almiscareiro é criado na Índia por causa do almíscar. O almíscar fica numa glândula situada sob a pele do animal que tem uma abertura perto da cauda. Os nativos colocam uma colherinha nessa abertura e extraem a substância, parecida com uma geléia amarelada e composta de amoníaco, resina, gordura e óleo. A retirada do almíscar é uma tarefa que exige muita habilidade e pode ser repetida a cada 15 ou 20 dias. Para o almiscareiro, seu almíscar é utilizado para outras finalidades, como delimitar seu território ou para que se comuniquem entre si na escuridão da floresta, já que são animais noturnos.

Vive solitário nas florestas e passa o dia em buracos cavados no solo ou nas tocas que foram abandonadas por outros animais. Raramente sobe em árvores e caça pequenos mamíferos, serpentes, sapos, insetos e aves.

Almiscareiro (Civettictis civetta)


Outros parentes da família dos Viverrídeos


Lisang (Prionodon lisang)

Musang (Paradoxurus hermaphroditus)


Mangusto-de-cauda-anelada (Galidia elegans)


Mangusto-amarelo (Cynictis penicillata)


Hemigalus derbyanus

Binturong (Artictis binturong)

É isso aí pessoal. De hoje em diante só repassaremos e-mails corretos.
Próxima matéria: BEIJA-GARRAFAS
Abraços!