SAUDAÇÕES!

A cada dia vemos a necessidade de ajudar o planeta de alguma forma. Enquanto algumas entidades discutem em congressos mundiais, podemos, em nossa própria casa, bairro, cidade ou região, ir dando um apoio também.
EDUCAÇÃO AMBIENTAL é uma forma de atingir metas. Através dela podemos levar conhecimentos e dinâmicas para diversas pessoas, inclusive as crianças, que são solos férteis para o cultivo dessa idéia e também nunca esquecendo dos adultos.
Hoje estou mostrando um pouco de tudo que há de belo e diferente no mundo. A função do "ZooTerra" é emergir novidades. Quem sabe você, ou seu próprio filho, não desperte uma vontade de estudar tal bicho futuramente e contribuir para o mundo?
Por isso tudo, lanço uma pergunta: O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO PARA SALVAR O MUNDO?

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

ALMISCAREIROS


INTERNET. É um meio de comunicação muito bom. Ela facilita a vida de muitas pessoas, agiliza certos processos, mantém vínculos que seriam impossíveis anos atrás, faz da tua vida uma alegria... Ou não!

Isso mesmo. A internet também é uma fonte que espalha medo, terror, ódio, desgraças e, para não ficar de fora, informações falsas.
Quantas vezes você já não recebeu e-mails falando sobre “corrente”, que é para você passar adiante? Ou então fotos de pessoas famosas ao lado de foto, destas mesmas pessoas, mas de anos atrás? Ou ainda, montagens feitas por computação gráfica onde o rosto de uma pessoa está no corpo de outra?

Agora, referente ao interesse deste blog, o que seria pior é receber e-mails de animais. Quantas vezes você já recebeu um destes e-mails e, sem saber se era verdade o seu conteúdo, o repassou e ainda escreveu: “NOSSA GENTE, FIQUEI INDIGNADO(A)!!! VAMOS PASSAR A DIANTE E MOSTRAR ESSA REALIDADE!!!”, heim? Quantas vezes você já fez isso? Pois bem, se é um leigo no assunto, eu até relevo. Mas se é algum biólogo/bióloga que é meu/minha amigo/amiga... Ahhh, aí o bicho pega. Como nós, profissionais da biologia, podemos repassar algo que não temos certeza? Mas atenção: não é só em nossa área que essas coisas acontecem! Portanto vamos abrindo os olhos minha gente.

Eu falo, falo, falo, mas não digo aonde quero chegar. Isso tudo é a introdução. Faz parte da mística, entende?! Tenho certeza que você entende!

Acontece que está rolando por aí um e-mail que fala sobre almíscar, mas o texto está incorreto. Ele mostra a foto de um bicho, o Almiscareiro (Civettictis civetta), ou simplesmente Civeta, e o texto de um cervo, o Almiscareiro (Moschus moschiferus). Lógico que alguém conseguiu algumas fotos bem fortes sobre este animal (Civeta) e deu uma caramelada errônea montando um e-mail meio estranho.

Portanto, a nossa idéia é mostrar o correto e também aquilo que muitos nunca pensaram que poderia existir. Vale lembrar que é possível sim, em muitos casos, haver maus tratos com muitos animais.

A seguir um pouco sobre os “Almiscarados”.


O que é o Almíscar?


É o nome dado a um perfume obtido a partir de uma substância de forte odor, secretada por uma glândula do veado-almiscareiro, de outros animais e também de algumas plantas de odor similar.

A variedade que é comercializada é a secreção do veado-almiscareiro, porém o odor se encontra também no boi-almiscarado (Ovibos moschatus), no rato-almiscarado (Ondatra zibethicus), no pato-almiscarado (Biziura lobata) entre outros animais.
Boi-almiscarado (Ovibos moschatus)

Pato-almiscarado (Biziura lobata)

Rato-almiscarado, Ondatra (Ondatra zibethicus)

Para obter-se o perfume do veado-almiscareiro, mata-se o animal e se extrai completamente a glândula, que é secada ao sol, sobre uma pedra quente ou submergindo-a em azeite quente. É comercializada sob duas formas: a glândula inteira ou o perfume extraído do seu receptáculo.

Seu aroma não é só mais penetrante, como também mais persistente do que qualquer outra substância conhecida. É uma matéria prima muito importante em perfumaria, dando força e fixando as essências vegetais com seu aroma poderoso e duradouro.

O almíscar artificial é um produto sintético possuindo um aroma similar ao natural que levou o nome de simtrinitro-butil tolueno. Foi obtido pelo químico Albert Baur em 1888 condensando tolueno com brometo de isobutila em presença de cloreto de alumínio, e nitrogenando o produto obtido. Se tem criado muitas fórmulas similares, e acredita-se que o odor depende da simetria dos três grupos nitrogenados. A descoberta do almíscar sintético pode estar evitando a extinção do cervo-almiscarado. Mas infelizmente ainda há muitos fabricantes clandestinos que maltratam estes e outros animais e/ou utilizam suas partes para fins inacreditáveis como "curar" certas doenças incuráveis.

Fonte: Wikipédia (adaptado)

Veado almiscareiro (Moschus moschiferus)

O almíscar do veado almiscareiro sempre foi apreciado e era usado pelos gregos e romanos em forma de unguentos perfumados. Em 1300, Marco Pólo contava na Europa como conseguia o almíscar: “Nas noites de lua cheia, o umbigo desse animal incha até formar uma bexiga repleta de sangue. Aí o animal é caçado e retira-se a bolsa, que fica secando ao sol. Dessa maneira consegue-se o bálsamo mais delicado que existe”. O fato é que só os machos com mais de 3 anos secretam o almíscar, uma substância amarronzada e semelhante a cera, produzida por uma glândula que fica numa bolsa na altura do abdome do animal.
O almíscar até hoje é usado nas indústrias de sabonetes, como essência, e na de perfumes, como fixador. Mas como cada macho fornece apenas pouco mais de 200 gramas, o animal tem sido caçado com frequência. Quando se vê perseguido, o veado almiscareiro procura escapar subindo em árvores e refugiando-se na copa. Muitas fêmeas e jovens são capturados em armadilhas, mas eles não secretam o almíscar.

O veado almiscareiro tem sobrevivido por ser um animal de tamanho reduzido e de hábitos pouco conhecidos. É solitário e raramente se une 2 ou 3 companheiros. Dorme em abrigos durante o dia e a noite sai à procura de capim, brotos macios, líquens, musgos e galhos de árvores. Prefere viver em florestas localizadas a mais de 2 mil metros de altitude.

Artiodáctilo da família dos cervídeos vive na Ásia Central e Oriental. Mede 1 metro de comprimento aproximadamente e 61 centímetros de altura e chega a pesar 11 quilos. Os casais se unem em janeiro e o filhote nasce 5 meses depois, com o pêlo todo manchado. Com três anos os machos começam a secretar o almíscar, época que precisa tomar cuidado com seus perseguidores.

Crânio de Moschus moschiferus

Almiscareiro (Civettictis civetta)

O almiscareiro é uma das espécies mais conhecidas da família dos Viverrídeos, que inclui alguns dos mais antigos carnívoros do mundo, como a geneta e o mangusto. Algumas espécies foram, e ainda são, domesticadas pelo homem.


Almiscareiro (Civettictis civetta)

Na Antiguidade, seu primo, o mangusto, era adorado como animal sagrado pelos povos da Ásia e do norte da África, pois livrava as moradias de ratos, serpentes e escorpiões.
No Egito Antigo, antes que o gato fosse domesticado, era a geneta que caçava ratos. Alguns povos ainda mantém esse costume.

Geneta (Genetta genetta)

O almiscareiro é criado na Índia por causa do almíscar. O almíscar fica numa glândula situada sob a pele do animal que tem uma abertura perto da cauda. Os nativos colocam uma colherinha nessa abertura e extraem a substância, parecida com uma geléia amarelada e composta de amoníaco, resina, gordura e óleo. A retirada do almíscar é uma tarefa que exige muita habilidade e pode ser repetida a cada 15 ou 20 dias. Para o almiscareiro, seu almíscar é utilizado para outras finalidades, como delimitar seu território ou para que se comuniquem entre si na escuridão da floresta, já que são animais noturnos.

Vive solitário nas florestas e passa o dia em buracos cavados no solo ou nas tocas que foram abandonadas por outros animais. Raramente sobe em árvores e caça pequenos mamíferos, serpentes, sapos, insetos e aves.

Almiscareiro (Civettictis civetta)


Outros parentes da família dos Viverrídeos


Lisang (Prionodon lisang)

Musang (Paradoxurus hermaphroditus)


Mangusto-de-cauda-anelada (Galidia elegans)


Mangusto-amarelo (Cynictis penicillata)


Hemigalus derbyanus

Binturong (Artictis binturong)

É isso aí pessoal. De hoje em diante só repassaremos e-mails corretos.
Próxima matéria: BEIJA-GARRAFAS
Abraços!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

MORCEGOS: QUE BICHO É ESSE?

Uma vez, em um congresso que participei, ouvi uma palestra sobre morcegos. Até então nunca tinha parado para notar essa ordem de mamíferos a fundo e, foi justamente neste congresso, que passei a gostar mais ainda desses mamíferos.

Costumo dizer que "quem tem medo de algum bicho não o conhece direito". Isso é muito justo e real. Tenho uma tia que se arrepia só de ouvir a palavra “aranha”, é incrível. Uma vez eu quase a matei, pois deixei uma revista aberta com a foto de uma caranguejeira, e saí dali rapidinho em direção a cozinha. Minutos depois, eu e meu tio, ouvimos um grito e minha revista saindo voando pela janela. Lógico que eu ri muito, ainda mais porque era pequeno e sempre adorei aprontar. Anos depois eu tentei ajudá-la a perder esse medo. Eu disse que a ajudaria, mas tinha que partir dela querer isso. O fato é que já faz doze anos que eu disse isso pra ela e ainda não fui procurado, rs.

O mesmo acontece com as aranhas, centopéias, piranhas, jacarés, leões, enfim, todos os animais que são ditos “perigosos” estão nesse risco.

Mas, além daqueles animais que estamos acostumados a ver com maior freqüência, há ainda os que nem conseguimos ver e os discriminamos como é o caso do morcego.

Ok, mas por que eu estou dizendo tudo isso agora? Bem, em uma de minhas monitorias, quando falava sobre animais noturnos, uma das crianças perguntou muitas coisas sobre morcegos e, tratando-se de sua idade, o molequinho sabia muito sobre o assunto. Seus colegas de classe denominavam-o como “morcególogo” ou “Batman”.

Após pesquisar um pouco mais sobre esses magníficos animais alados descobri um site excelente onde oferece muitas informações. Lá tem muita informação boa que não caberia aqui. Vale a pena entrar!

Agradeço ao Dr. Marco A. R. Mello pela autorização em anexar uma prévia do conteúdo de seu site, www.casadosmorcegos.org, e mais algumas fotos neste blog.
A todos uma boa leitura e saibam mais entrando no site, pois nesse blog tem só um "tiquinho" de informação.


"QUEM SÃO OS MORCEGOS?

- Morcegos não são ratos velhos que ganharam asas!
- Morcegos não são aves, nem insetos!
- Morcegos não são cegos!
- Morcegos não são 'dráculas'!
- Morcegos não são demônios, nem anjos!

Morcegos são mamíferos, assim como nós e os ratos: têm pêlos, regulam internamente sua própria temperatura ("sangue quente") e amamentam seus filhotes. Nós todos pertencemos à uma classe de seres vivos chamada Mammalia. As aves estão em uma outra classe chamada Aves.

Cada classe é dividida em ordens, sendo que a nossa se chama Primates (primatas), onde também se incluem os macacos, micos, sagüís, chimpanzés etc. A ordem dos ratos, cutias, pacas e capivaras chama-se Rodentia, os roedores.

Já a ordem dos morcegos se chama Chiroptera, que significa "mãos em forma de asas" (do grego: kheir = mão + pteron = asa). É só lembrar de "quiroprático", "pterossauro" etc. Essa ordem tem pelo menos 1.116 espécies (Simmons 2005).

As asas, dentro do grupo dos vertebrados, são modificações dos membros anteriores ("braços"). Por isso, aves e morcegos só têm duas asas, mas insetos podem ter quatro. As asas dos morcegos são únicas, sendo bem diferentes das asas de aves e dos extintos pterossauros. Os morcegos têm cinco dedos em cada mão (como nós), as aves têm três e os pterossauros tinham quatro. Nos morcegos, há uma mebrana (patágio) que se extende desde o corpo e engloba quatro dos cinco dedos, formando a asa. As aves têm a asa formada por penas, que não são vivas como a membrana dos morcegos, podendo ser perdidas sem maiores prejuízo. Veja a figura abaixo:




A IMPORTÂNCIA DOS MORCEGOS

1. São importantes predadores de insetos, inclusive de muitas pragas agrícolas e vetores de doenças humanas, como gafanhotos e mosquitos.
2. São os principais dispersores de sementes de plantas pioneiras, como a cava-cava e a jurubeba, na região Neotropical (correspondente à América Latina e sul dos EUA), portanto são grandes responsáveis pela regeneração florestal.
3. São também importantes polinizadores, exercendo um importante papel na reprodução de diversas plantas, como o pequi, a pata-de-vaca e o maracujá.
4. Em ambientes selvagens, atuam como vetores naturais de doenças, principalmente a raiva, controlando assim populações de outros animais.
5. Pelos diversos tipos de interações que fazem com outros organismos, são elementos importantes nas florestas tropicais, sendo centrais na estrutura de muitos serviços ecológicos.
6. Servem de modelo para várias tecnologias, como os sonares, radares, aparelhos de ultra-som e até mesmo remédios para circulação.


QUANTOS TIPOS DE MORCEGOS HÁ?

A ordem Chiroptera, com ao todo pelo menos 1.116 espécies (Simmons 2005), se divide em duas subordens, Megachiroptera (raposas-voadoras; apenas 1 família) e Microchiroptera (todos os outros morcegos; 17 famílias). Os morcegos brasileiros são todos microquirópteros.

No Brasil, sabe-se atualmente que há pelo menos 167 espécies (Reis et al. 2007), um número que certamente vai aumentar nos próximos anos, conforme forem feitos mais inventários e estudos taxonômicos. Clique aqui para ver a última lista oficial das espécies de morcegos brasileiros, que está no final do livro Morcegos do Brasil. Um nova lista mais atualizada com pelo menos 170 espécies será disponibilizada em breve, com a publicação do novo livro "Morcegos no Brasil: Biologia, Sistemática, Ecologia e Conservação" (Pacheco et al., no prelo), que deve ocorrer ainda em 2009.

Famílias

* Pteropodidae (única família da sub-ordem Megachiroptera)
* Rhinopomatidae
* Emballonuridae
* Craseonycteridae
* Nycteridae
* Megadermatidae
* Rhinolophidae
* Hipposideridae
* Mormoopidae
* Noctilionidae
* Phyllostomidae
* Mystacinidae
* Natalidae
* Furipteridae
* Thyropteridae
* Myzopodidae
* Vespertilionidae
* Molossidae

Abaixo algumas espécies.



PHYLLOSTOMIDAE

Carolliinae

Carollia perspicillata


Desmodontinae
Desmodus rotundus


Glossophaginae Glossophaga soricina


Phyllostominae

Lonchorhina aurita


Stenodermatinae

Platyrrhinuns helleri


EMBALLONURIDAE

Saccopteryx bilineata

MOLOSSIDAE Eumops glaucinus


NOCTILIONIDAE Noctilio albiventris

VESPERTILIONIDAE Lasiurus ega

MORMOOPIDAE

Pteronotus parnellii


ONDE ELES VIVEM?

Podem viver em diversos lugares, cada espécie tem suas preferências. Os lugares onde os morcegos se abrigam são chamados "refúgios". Há dois tipos básicos de refúgios: os diurnos e os noturnos. Os refúgios também podem ser classificados como naturais ou artificiais:

Naturais: ocos de árvores, folhas, cascas soltas de árvores, etc.

Artificiais: espaços entre telhas, forros de telhados, cômodos de casas abandonadas, chaminés não-utilizadas, etc.


COMO ELES SE REPRODUZEM?

Descobriu-se até hoje quatro padrões reprodutivos básicos para os morcegos neotropicais:


· monestria estacional: um único pico reprodutivo durante o ano;
· poliestria estacional: dois ou três picos reprodutivos durante o ano;
· longo período reprodutivo, com um pequeno período de inatividade reprodutiva;
· reprodução ao longo do ano todo, sem estações definidas.

Há fenômenos, como "estro pós-parto", que consiste na capacidade que as fêmeas de algumas espécies têm de se tornarem férteis logo após darem à luz seus filhotes. Outro fenômeno bem interessante é a "implantação atrasada", que ocorre quando zigotos não se implantam prontamente no útero após a fertilização, sendo armazenados temporariamente, até que o organismo deixe a gravidez prosseguir em uma época mais favorável (dependendo da oferta de alimentos e da temperatura).


QUANTOS SENTIDOS ELES TÊM?

Morcegos possuem os cinco sentidos aos quais estamos acostumados (visão, olfato, audição, tato e paladar) e, além disso, possuem também três incríveis sentidos adicionais! Vamos começar pelo mais famoso deles.

Ecolocalização: além da audição passiva, a maioria dos morcegos possui uma audição ativa, também conhecida como ecolocalização. Esse sentido funciona da seguinte maneira. O morcego emite ondas sonoras ultra-sônicas, ou seja com freqüência muito alta (pelas narinas ou pela boca, dependendo da espécie). Essas ondas atingem obstáculos no ambiente e voltam na forma de ecos. Esses ecos são percebidos pelo morcego.

Termorrecepção: os morcegos-vampiros possuem ainda um sétimo sentido, a termorrecepção. Graças a estruturas presentes em seu focinho, eles são capazes de perceber ondas de calor à curta distância. Os vampiros usam essa habilidade para sentir quais vasos sangüíneos estão mais superficiais na pele do animal a ser atacado. Deste modo, dão mordidas menos doloridas e evitam acordar a presa, que poderia reagir ao ataque.

Orientação magnética: alguns morcegos do gênero Eptesicus também podem usar o campo magnético da Terra para se orientar durante vôos longos, especialmente a fim de retornar ao abrigo diurno.


O QUE OS ELES COMEM?

Os morcegos são a ordem de mamíferos com a maior diversidade de hábitos alimentares. Ao contrário do que se pensa, das mais de 1.100 espécies de morcegos, apenas três se alimentam de sangue, sendo que apenas uma ataca exclusivamente outros mamíferos. No mundo, 70% dos morcegos se alimentam se insetos. No Brasil, 50% se alimentam de plantas".


QUER MAIS?

www.casadosmorcegos.org


Próxima matéria: ALMISCAREIROS

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O QUE HÁ DE ERRADO COM O LORO JOSÉ, DA ANA MARIA BRAGA?

No assunto anterior verificamos o que é uma AVE e um PÁSSARO. Teoricamente são duas denominações para a mesma classe, mas para caráter classificatório foi essencialmente necessário separar, quanto a ordem, qual cada grupo de ave pertence. Foi justamente aí que separamos aves com certas características e enquadramos em uma ordem, ou seja, ordenamos/arrumamos estas aves para assim podermos entender melhor quem é quem e, posteriormente, qual é a sua família.

Inserido da ordem PSITTACIFORMES encontramos duas famílias: Cacatuidae* e Psittacidae. No primeiro grupo estão as populares cacatuas, aquelas que possuem uma crista pequena ou grande, móvel ou imóvel, muito comum na região australiana. Dentre elas temos:
1 - Cacatua-preta (Probosciger aterrimus);
2 - Cacatua-branca (Cacatua alba);
3 - Cacatua-rosa (Cacatua leadbeateri);
4 - Cacatua-das-molucas (Cacatua moluccensis);
5 - Cacatua-galerita (Cacatua galerita);
6 - Calopsita (Nymphicus hollandicus), etc.

* Alguns autores classificam as cacatuas nesta família, porém há aqueles que as enquadram na mesma família das araras, papagaios e periquito, a psittacidae.

O segundo grupo é representado por araras, papagaios e periquitos (A - Ara militaris; B - Psittacus erithacus; C - Psittacula cyanocephala). Esta ordem, Psittaciformes, como característica principal das patas, tem dois dedos voltados para frente e mais dois dedos voltados para trás, conforme vimos no texto passado.


E é aí que entra o LORO JOSÉ da Ana Maria Braga. Não basta conhecer os animais, sua biologia, hábitos, dentre outros, mas principalmente é muito importante observar. A observação é fundamental para evitarmos erros absurdos em nosso dia-a-dia. Portanto, quem observou direitinho, viu que o LORO JOSÉ, possui um dedo a mais na frente (sendo que o correto deveria ser apenas dois!). Quanto a cor do bico e patas, isso deixamos passar, mas 3 dedos? Aí já é demais.

Viu só como é fácil! Agora, quem quiser entrar no site do “Mais Você” e falar isso... Vá em frente. Pois eu mesmo já fiz umas quatro vezes e ninguém me respondeu (rs). Quem sabe mais gente falando eles não amputam um dos três dedos do LORO!?
A próxima matéria será sobre morcegos. Aguarde!
Abraços.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

QUE PASSARINHO É ESSE MÃE?

Cacatua-preta (Probosciger aterrimus)

Pois é né... É muito comum as pessoas se referirem a todo animal de bico e pena por PASSARINHO. Mas, aos ouvidos de quem entende, isso dói, e dói muito.

O "Globo Repórter", aquele programa da Rede Globo que insiste em passar notícias para informar as pessoas, muitas vezes (pra não dizer todas as vezes), peca quando mencionam sobre animais. Infelizmente eles não costumam passar seus textos para uma pessoa experiente (um biólogo) que entende do assunto para revisar a matéria e impedir de ir ao ar essas besteiras. Eu mesmo já perdi as contas de quantas vezes já mandei e-mails fazendo correções e nada de me responderem decentemente. O que eu recebo são frases prontas: "Obrigado. Sua sugestão foi enviada para o departamento competente e blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá".

Então, vendo essa dificuldade, deixo um texto, adaptado, colhido no Atualidades Ornitológicas pelo site www.ao.com.br, onde explica direitinho que: NEM TODAS AS AVES SÃO PÁSSAROS!

David Attenborough, em sua monumental obra A VIDA NA TERRA, afirma que "A pena é algo extraordinário, é uma substância a que poucas se comparam como isolante término e nenhuma, seja de origem animal ou fabricada pelo homem, a supera como material de vôo. ... As características que distinguem as aves dos outros animais estão quase sempre ligadas, de uma forma ou de outra, aos benefícios trazidos pelas penas. Na realidade, o simples fato de possuí-las é suficiente para definir uma criatura como ave". Mas o que dizer dos familiares classificados dos jornais: ANIMAIS e AVES? Notório contra-senso! Melhor seria dizer AVES e OUTROS ANIMAIS.


Flamingo-americano (Phoenicopterus ruber ruber)

Outro deslize relativamente comum é freqüente na televisão. Programas como MUNDO ANIMAL, por exemplo, extremamente meritórios por seu excelente conteúdo, deveriam contar com rigorosa assessoria científica quando de sua versão para o Português, evitando que aves como garças, tucanos, araras e outras continuem sendo denominadas pássaros, o que constitui erro palmar. Também as publicações dedicadas a Ornitofilia, Ornitologia Amadora e assuntos correlatos estampam com assiduidade títulos do tipo "PERIQUITOS ONDULADOS, PÁSSAROS MARAVILHOSOS", "AGAPORNIS, PÁSSAROS DO AMOR" etc. Ora, que o leigo cometa tais equívocos é compreensível e até perdoável, mas, deve confessá-lo, quem tem algumas noções de Ornitologia não os engole sem veementes protestos!

Agapornis personata

Rodolpho von Ihering, um dos maiores naturalistas deste País, já frisava em sua obra magna, o DICIONÁRIO DOS ANIMAIS DO BRASIL: "Pouca gente costuma fazer distinção com valor classificativo, no emprego dos vocábulos ave e pássaro, peculiares à nossa língua e à espanhola. O francês emprega indiferentemente oiseau, tanto ao designar o avestruz como o pardal e da mesma forma Vogel em alemão e bird em inglês aplicam-se a qualquer vertebrado plumado. Mas ninguém, falando corretamente nossa língua, dirá que a ema, o gavião e o papagaio sejam pássaros". O mestre até exemplifica: "Termos ouvido definir que pássaros são as aves pequenas. Estará certa? O bem-te-vi é um pássaro, mas a rolinha, muito menor, pode ser designada assim? Certamente que não, pois a rola é uma pomba e os representante desta ordem não são pássaros, porém aves, como as galinhas".


Depreende-se, portanto, a existência de valor classificativo para a palavra pássaro. Todos os vertebrados providos de penas são aves, inclusive os pássaros. Estes, porém, pertencem a um grupo zoológico bem caracterizado, constituindo a ordem Passeriformes. E a ela não se filiam tuins, andorinhões e nem mesmo os beija-flores, apesar de suas reduzidas dimensões. Daí se deduz que, se quisermos empregar com exatidão os vocábulos ave e pássaro, a noção de tamanho deve ser completamente abandonada, levando-se em conta apenas o critério de classificação. Pássaros, só os Passeriformes, que têm bico desprovido de membrana na base, tarsos isentos de penas, pés com três dedos dirigidos para a frente e um para trás e unha do dedo posterior mais forte que a dos anteriores, dos quais os dois interiores são ligados entre si na base.

Já que, para o leigo, isso não quer dizer muito, embora elimine uma série de espécies (todas as que têm dois dedos dirigidos para a frente e dois para trás, por exemplo, incluindo-se aí os menores pica-pauzinhos), a única maneira prática de esclarecê-lo é relacionando todas as famílias de Passeriformes que ocorrem no Brasil:

Cerebídeos (saís, cambacicas etc);
Corvídeos (gralhas);
Cotingídeos (arapongas, anambés, pavó, crejoá, corocochó etc.);
Dendrocolaptídeos (arapaçus e subideiras);
Estrildídeos (bico-de-lacre);
Formicariídeos (chocas, tovacas, papa-formigas etc);
Fringilídeos (azulão, curió, bicudo, canário-da-terra, cardeal, patativa, caboclinho, papa-capins, tico-ticos, trinca-ferro, tiziu etc);
Furnariídeos (joões-de-barro, bentererês, trapadores etc);
Hirundinídeos (andorinhas);
Icterídeos (chupim, pássaro-preto, graúnas, japus, corrupião etc);
Mimídeos (arrebita-rabo, sabiá-da-praia, japacanim);
Motacilídeos (caminheiros);
Oxiruncídeos (bico-agudo);
Parulídeos (pula-pulas, pia-cobra, mariquitas);
Piprídeos (tangarás, fruchus, rendeira, flautim etc);
Ploceídeos (pardal);
Rinocriptídeos (macuquinhos, tapaculo-preto etc);
Sulviídeos (balança-rabos, chiritos, bico-comprido);
Tersinídeos (saí andorinha);
Tiranídeos (bentevis, suiriris, sebinhos, tesouras, viuvinha etc);
Traupídeos (sanhaços, saíras, gaturamos, tiês, pipiras etc);
Trogloditídeos (corruíras, garrinchas etc);
Turdídeos (sabiás);
Vireonídeos (pitiguari, juruviaras, verdinho-coroado).

Como se vê, a quantidade não é pequena. Das cerca de 1.590 espécies de aves presentes no País (segundo o prof. Helmut Sick), quase 900 são pássaros. É importante atentar para os casos de evolução convergente, não confundindo com pica-paus os arapaçus (Dendrocolaptídeos), que se comportam como aqueles (Picídeos, da ordem Piciformes) mas possuem três dedos dirigidos para a frente e um para trás. O mesmo se diga de andorinhas (Hirundinídeos) e andorinhões. Estes, da família Apodídeos, não são pássaros, pertencendo à mesma ordem dos beija-flores (Apodiformes). Também os tuins, periquitos e similares nada têm a ver com pássaros, por menores que sejam (integram a família Psitacídeos e ordem Psitaciformes). Analisando-se com atenção as famílias que compõem a ordem Passeriformes no Brasil e seus respectivos exemplos não há como errar, evitando-se o emprego incorreto de uma palavra que, em nossa língua, tem valor classificativo.

Portanto, todos os pássaros são aves, mas nem todas aves são pássaros!

ATUALIDADES ORNITOLÓGICAS N.8 JAN/FEV 1986, pág.4
OTÁVIO SALLES, Jacutinga-MG

Depois dessas informações bem bacanas deixo uma pergunta: O QUE HÁ DE ERRADO COM O LORO JOSÉ, DA ANA MARIA BRAGA?

É isso aí pessoal, por hoje é só.

Abraços.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Saudações!
Na semana passada vimos um pouco sobre melanismo em onça-preta, leucismo nos tigres e o albinismo em alguns animais desprovidos de pigmentação. Observamos que a cor de cada indivíduo é muito importante para mantê-lo vivo no habitat que vive. Verificamos que um tigre-branco não viveria muito tempo em vida natural ao contrário de seu primo, o lepardo-negro ou pantera, que se adaptaria melhor numa floresta mais densa e escura. Aos animais que se confundem com o ambiente damos o nome de camuflagem.


E o que seria a CAMUFLAGEM?

É uma abordagem diferente para enganar as presas/predadores em que os animais procuram parecer objetos não comíveis para evitar ser detectados por predadores e presas.

Existem muitos exemplos de espécies da floresta que são ocultamente coloridos para combinar com os seus arredores. Por exemplo, o Lagartixa-de-Madagascar (Uroplatus fimbriatus) é um incrível mestre do disfarce e praticamente imperceptível para qualquer pessoa.



Outras espécies florestais, especialmente mamíferos, têm manchas ou listras para ajudar o animal no seu habitat. Na sombra criada pelo dossel, grandes mamíferos como leopardo, onças, panteras, e o ocapi são surpreendentemente difíceis de serem observados com toda a coloração perturbadora ao redor. Abaixo, outros artistas bem conhecidos por sua camuflagem...



E o MIMETISMO?

Ao contrário da camuflagem, que uma espécie de animal é semelhante à um objeto, o mimetismo se refere às semelhanças entre as espécies animais.
Existem três formas de mimetismo utilizadas por ambos os predadores e presas:
Mimetismo Batesiano
Este mimetismo refere-se a duas ou mais espécies que são semelhantes na aparência, mas somente um é armado com espinhos, ou químicas tóxicas, enquanto a sua “cópia” não tem nenhuma dessas características. A “cópia” não tem defesas como as outras, a não ser as semelhanças que proporcionam proteção contra certos predadores, no qual os predadores associam uma certa aparência a uma má experiência. Dentre alguns exemplos temos:
Borboleta-monarca (Danaus plexippus) e Vice-rei (Limenitis archippus)

Coral-verdadeira* (Micrurus corallinus) e a Falsa-coral* (Erytrolamprus aesculapii)

* Existem outras espécies, porém, aqui apresentamos uma espécie apenas.

Mimetismo Muelleriano

Esta forma de mimetismo refere-se a duas espécies de gosto desagradáveis que imitam um do outro, com colorações notáveis de advertências (também conhecido como coloração aposemática). Assim, todos os mímicos partilham os benefícios da coloração já que o predador irá reconhecer a coloração de um grupo de sabores desagradáveis após algumas más experiências. Dado que várias espécies têm a mesma aparência para o predador.

Os Dendrobatídeos, sapos venenosos da América do Sul, são exemplos com sua coloração conspícua de cores brilhantes.



Auto-Mimetismo

É um termo enganador para os animais que têm um corpo que imita outra parte, aumentando a sobrevivência durante um ataque (borboleta Morpho sp.) ou ajuda os predadores parecerem inofensivos para suas presas. Por exemplo, inúmeras mariposas, borboletas, e espécies de peixes de água doce têm "olhos-manchas", ou seja, grandes marcas escuras que, quando bate luz momentaneamente, espanta o predador e permite a presa ter alguns segundos para escapar.

Manchas de "olho" também ajudam presas a escapar dando um alvo falso aos predadores. As borboletas têm melhor chance de sobreviver a um ataque na parte exterior da asa do que um ataque à cabeça.



Os predadores utilizam menos freqüentemente o mimetismo como auto-ajuda para parecer menos ameaçador ou enganar as presas na hora do ataque. As tartarugas-mordedoras (Macroclemys sp.) têm língua diferenciada que é utilizada como uma espécie de atração para atrair presas para uma posição em que elas se tornem uma captura fácil. Sua língua lembra muito uma minhoca, ou algum outro animal parecido com um verme, que poderia ser alimentação de um peixe, e esta da tartaruga-mordedora.


Outro exemplo interessante de auto-mimetismo é o chamado "duas cabeças". Em um destes grupos existe o dos lagartos denominados por Cobra-de-duas-cabeças (Amphisbaena sp.), que são ápodes e muito difundido no Brasil, tem um rabo que lembra uma cabeça e uma cabeça que lembra um rabo.




mongabay.com (adaptado)